
Após mais de três décadas de funcionamento e de muitas polêmicas, a casa noturna Bahamas Hotel Club fechou as portas no bairro de Moema, na zona sul de São Paulo. O fechamento foi confirmado pela família do empresário Oscar Maroni, fundador do Bahamas, que morreu em dezembro do ano passado, aos 74 anos.
Os motivos não foram informados. A reportagem entrou em contato com a família de Maroni e aguarda retorno.
A casa era conhecida por oferecer atrações ao público adulto e conviveu com polêmicas e processos judiciais ao longo dos anos. Em seu site, o Bahamas se apresentava como a "casa tradicional da noite paulistana" que "personifica o luxo" e "uma busca contínua pelo prazer" com "requinte e discrição".
Um tour virtual destacava as suítes exóticas, com serviços de hotelaria, bar e gastronomia, com cartas de vinhos e de charutos, "o convite perfeito para que casais liberais, homens e mulheres desfrutem o maior centro de entretenimento para adultos da América Latina". Uma cascata enfeitava o salão principal.
A publicidade explícita levou o empresário, conhecido como "Rei da Noite", a ser investigado e processado por favorecimento à prostituição. Maroni ficou preso entre agosto e outubro de 2007, chegou a ser condenado em primeira instância, mas foi absolvido das acusações Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em outro episódio, Maroni e o então prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) tiveram um conflito envolvendo o Oscars Hotel, de propriedade do empresário. O prédio de onze andares fica localizado perto da cabeceira do Aeroporto de Congonhas, próximo do clube Bahamas.
Após o acidente com um avião da TAM em 2007, Kassab cassou o alvará do hotel, alegando que a proximidade da edificação poderia representar risco às aeronaves e à segurança do aeroporto. Por causa disso, entre 2007 e 2013, a casa noturna ficou fechada, que alegou falta de alguns alvarás para funcionar. Maroni conseguiu na Justiça a reabertura da casa.
Conhecido pela fama do Bahamas, o empresário tentou entrar na política. Em 2008, ele foi candidato a vereador de São Paulo pelo PTB e, em 2018, se candidatou a deputado federal pelo PROS. Nas duas ocasiões não conseguiu votos suficiente para se eleger.
Em 2021, durante a pandemia de covid-19, o hotel voltou a ser interditado durante uma operação que encontrou dezenas de pessoas em uma festa clandestina, sem máscaras e distanciamento que eram obrigados na época. Maroni assinou um acordo com o Ministério Público para encerrar o processo.
Nos anos seguintes, a casa deixou de aparecer com tanta frequência nas redes sociais. A última postagem do Bahamas Club em sua página no Instagram, em 22 de fevereiro de 2021, celebrava a vitória de Bruno Covas à prefeitura de São Paulo: "Covas ganhou as eleições e os clientes Bahamas ganham a primeira cerveja grátis!".
Morte do fundador
Em 2024, a família revelou que o empresário tinha Alzheimer e estava em uma casa de repouso. Ele morreu no dia 31 de dezembro de 2025, aos 74 anos. Na data, os filhos publicaram nota dizendo que, em sua homenagem, o Bahamas continuaria aberto "sempre na busca contínua pelo prazer".
Com a morte do fundador, o Bahamas passou por um processo de reestruturação comandada pelos filhos e herdeiros de Maroni, Aratã e Aruã. Outro irmão, Acauã, entrou na gestão da casa e a irmã deles, Aritana, preferiu manter seus próprios negócios.
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