Música Diante de 48 mil pessoas, cantora estreou turnê Bye Bye Caju com superprodução e confirma ascensão como um dos maiores nomes da música brasileira contemporânea
Rony Hernandes / Divulgação 30e e b+ca

Dona da capacidade de hipnotizar o público com seu talento, a cantora Liniker iniciou no último sábado (11) a turnê Bye Bye Caju, no Nubank Parque, na capital paulista. Em uma apresentação marcada por performances, trocas de roupas e orquestra, ela coroou um dos ciclos mais importantes da carreira ao fazer seu primeiro show solo em um estádio. Marcada pela emoção, mostrou-se incomparável ao presentear 48 mil pessoas com uma superprodução e um mergulho íntimo na pluralidade musical que possui, formada pelas influências do samba-rock até referências internacionais de divas pop.
Após abrir o espetáculo com Tudo, Liniker revisitou os álbuns Remota, de 2016, e Goela Baixo, de 2019, com os Caramelows, grupo musical brasileiro fundado em 2015 em Araraquara, São Paulo, cidade natal da artista. Com o objetivo de proporcionar uma experiência imersiva aos fãs, as canções convidaram o público a entrar em uma máquina do tempo direto para esse começo, há mais de dez anos, quando viralizou com a música Zero, do EP Cru.
“É a primeira vez que uma travesti faz um show sold out aqui. É a primeira vez que a gente pode ocupar esse espaço com verdade, com fé, com resistência e com excelência. É surreal ver esse tanto de gente”, disse a vencedora de três prêmios GRAMMY Latino 2025, como Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, Melhor Interpretação Urbana em Língua Portuguesa e Melhor Canção em Língua Portuguesa.
Com passagem de ida para uma trajetória formada por músicas que tratam sobre afetividade, desejo, paixões, poder e representatividade, o espetáculo foi marcado por quatro atos, que receberam miniclipes, com poesias recitadas pela cantora e identidade visual própria. Na primeira troca de roupas, ela substituiu o vestido curto vermelho brilhante por um vestido longo de manga única branco que deu início ao ato dois, do Índigo Borboleta Anil, álbum de estreia da carreira solo, de 2021. Depois, na “era Caju”, entregou-se às cores e escolheu uma bota para fazer referência à música Charme. Para finalizar, aderiu a um casaco de pele de onça e a uma faixa escrita “Miss Caju”.
Um dos momentos mais marcantes do show foi o encontro dela com a amiga, também cantora Linn da Quebrada, que estava na plateia. A amizade nasceu quando as duas estudavam na ELT (Escola Livre de Teatro) de Santo André. O espaço no Grande ABC foi um berço fundamental para a construção da identidade artística de ambas antes de estourarem nacionalmente.
Em meio à multidão, Liniker compartilhou com o público parte do processo de produção e memórias de viagens. Do Candomblé, ela fez questão de trazer, mesmo que de forma sutil, referências à religião nas danças e letras. “Eu sonho, eu sinto, eu choro, eu tenho dias maravilhosos, eu tenho dias ruins, eu sou humana, sou cantora, sou filha, sou amiga, sou mãe – de cachorras -, sou filha de santo”, afirmou.
Apesar das inúmeras regras impostas pelo mercado musical a quem deseja alavancar uma carreira, Liniker mostra-se livre de amarras e imprevisível quanto aos próximos passos. O futuro parece ser guiado por uma artista que descobriu a força da própria coragem, paixão e autenticidade.
A cantora segue com a turnê para Rio de Janeiro, no dia 22 de agosto, na Farmasi Arena; Belém, no dia 19 de setembro, no Espaço Náutico Marine; e Salvador, na Casa de Apostas Arena Fonte Nova, no dia 7 de novembro.
Veja setlist:
ATO 1
1. ABERTURA - TUDO + INTERLUDIO
2. CAEU
3. ZERO
PAUSA
4. DE ONTEM
5. SEM NOME
6. BEM BOM
7. CALMÔ
8. INTIMIDADE
ATO 2
9. CLAU + INTERLUDIO
10. ANTES DE TUDO
11. PRESENTE
12. PSIU
13. BABY 95
ATO 3
14. CAJU + INTERLUDIO
15. VELUDO MARROM
16. AO SEU LADO
17. ME AJUDE A SALVAR OS DOM
18. NEGONA DOS OLHOS TERRÍVEIS
19. MAYONGA
20. PAPO DE EDREDOM
21. MELHOR NOTÍCIA
ATO 4
22. POPSTAR + INTERLUDIO
23. FEBRE
24. POTE DE OURO
25. DEIXE ESTAR
26. SO SPECIAL
ENCERRAMENTO
27. CHARME + TEMA FINAL
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