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Mr. Paulo Freire in America

Percival Puggina
14/07/2026 | 06:30
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O professor Alan Sokal criou um caso e fez escola quando, em 1996, visando demonstrar publicamente a falta de rigor intelectual de uma revista acadêmica, usou seu conhecimento para enviar a ela um artigo técnico. Recheado de absurdos, mas enfeitado com jargões e cortejando as tendências ideológicas do veículo, o texto foi publicado. Então, Sokal, que leciona Matemática na UCL de Londres e Física na Universidade de Nova York, divulgou o fato e seu intuito, mostrando por quais caminhos andava parcela já expressiva do ambiente acadêmico “progressista” norte-americano.

Vinte anos depois, três autores – James A. Lindsay, Helen Pluckrose e Peter Boghossian –, para evidenciarem a inversão de valores e a fragilidade intelectual de certa elite acadêmica, encaminharam 20 artigos a diversas publicações. A exemplo do artigo de Sokal, os textos eram repletos de idiotices com maquiagem esquerdista, expressas em rebuscada linguagem científica. Sete dos vinte foram aceitos para publicação e quatro efetivamente divulgados antes de a farsa se tornar pública. O episódio ficou conhecido como “Sokal squared” ou “Sokal ao quadrado”.

Há alguns dias, recebi da editora Avis Rara um exemplar do compilado de textos de James A. Lindsay sobre Paulo Freire, nosso conhecido patrono da Educação brasileira, intitulado A Pedagogia do Marxismo. O livro traz uma crítica severa e consistente à perniciosa influência de Freire na educação... dos Estados Unidos. Sim, leitor. Até onde avancei na leitura, a obra faz meras menções laterais ao Brasil. Sua preocupação é mostrar o estrago que produz, no país do autor, uma pedagogia cuja finalidade é essencialmente política e voltada para a formação de militância em larga escala.

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Não é de surpreender. Quando, no início de 1963, o desconhecido Paulo Freire realizou sua famosa experiência em Angicos, alfabetizando trezentos adultos em quarenta horas, o aprendizado focava duas áreas – alfabetização e política. Por quê? Todo mundo sabe. O aproveitamento foi avaliado em 87% quanto à política e em 70% quanto à alfabetização. Para ele, a Educação é um ato político. Em suas próprias palavras a um repórter do Jornal da República (Recife, 31/8/70), ele fazia política através da pedagogia.

A grande armadilha que montou e que o levou à sagração nos altares da apreciação esquerdista internacional está na sedução produzida pela simplificação de um fenômeno complexo. Para suas vítimas, Freire se torna um Cristo redivivo e faz o milagre de, através da Educação, “conscientizar” a sociedade, em vasta proporção, de que a “opressão” é “a causa” da pobreza material, motivando à “luta pela libertação”. Marxismo em modo tosco. Nada como um partido de esquerda para vender essa mercadoria à cadeia produtiva da Educação.

Percival Puggina é arquiteto, escritor e titular do site Liberais e Conservadores.




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