Visita presidencial Presidente acompanha pesquisa promovida pelo Instituto Mauá de Tecnologia e volta a criticar Donald Trump pelo conflito com regime do Irã
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Os estudos para avaliar a ampliação da mistura de biodiesel ao diesel devem ser concluídos em fevereiro de 2027, segundo aponta o Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano. A previsão foi reforçada durante a visita realizada nesta segunda-feira (13) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à instituição, ocasião em que voltou a criticar a política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quanto ao conflito no Irã, e defendeu o avanço dos biocombustíveis como estratégia para enfrentar a crise energética.
A iniciativa teve início em maio deste ano, quando o Instituto Mauá passou a executar a primeira etapa dos ensaios para verificar a viabilidade técnica de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel dos atuais 15% para 20%. A medida foi pavimentada por meio do Programa Combustível do Futuro, criado via lei sancionada por Lula, a fim de reduzir emissões e promover a mobilidade de baixo carbono. A norma determina o aumento da mistura de etanol na gasolina para até 35% e do biodiesel no diesel para até 25%.
O chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá, Renato Romio, explicou que a equipe iniciará os ensaios comparativos. “Vamos começar a fazer os testes, inicialmente com B15 (misturas de biodiesel em 15%), para termos base de comparação e, na sequência, com B20 (20%). Os testes de biodiesel devem ficar prontos no fim do ano ou no início de 2027. Depois, há um período para análises finais. Então acredito que até fevereiro, já tenhamos tudo em mãos”, afirmou.
Durante a agenda em São Caetano, Lula afirmou que o desenvolvimento de combustíveis renováveis é uma resposta direta ao cenário de instabilidade provocado pelos conflitos internacionais no Oriente Médio e voltou a condenar a postura adotada pelos Estados Unidos. “Hoje, ele (Trump) disse que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas que cada navio que passar terá de pagar 20% a ele. Antigamente, isso era chamado de pirataria. Ele não tem que cobrar. O Estreito de Ormuz é responsabilidade dele”, comentou Lula.
O presidente brasileiro afirmou que a narrativa de produção de armas nucleares para embasar a ofensiva da Casa Branca sobre o regime de Teerã não é verdadeira. “Posso dizer que isso é mentira, porque o Irã assinou um documento afirmando que não faria arma nuclear. Da mesma forma, inventaram que Saddam Hussein (ex-presidente do Iraque) faria armas químicas, e não tinha. E o preço da guerra está chegando no valor do feijão, do arroz, do tomate e da cebola, porque tornou o combustível mais caro”, disparou.
LEIA TAMBÉM:
Em São Caetano, Lula reforça a aposta nos biocombustíveis
As falas do chefe do Palácio do Planalto ocorrem em meio às negociações do governo brasileiro com os Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de até 25% nas exportações de produtos nacionais. O prazo para que Washington decida se as cobranças entrarão em vigor termina amanhã.
Já o projeto sobre o biocombustível no Instituto Mauá integra uma iniciativa do governo federal com investimento total de R$ 30 milhões, destinado ao desenvolvimento das pesquisas. Os recursos são divididos entre oito instituições de pesquisa e ensino, entre elas, a unidade em São Caetano.
ESTRATÉGIAS
Em seis meses, o preço médio de revenda do óleo diesel no Grande ABC subiu de R$ 6,06, entre 4 e 10 de janeiro, para R$ 6,86 no balanço mais recente, de 28 de junho a 4 de julho. Como tentativa de frear os aumentos em todo o Brasil, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior decidiu na semana passada manter em 12% a alíquota do imposto de exportação sobre óleos brutos de petróleo e de minerais betuminosos. Lula defende a iniciativa para que os preços dos alimentos não subam em meio à crise entre Washington e Teerã.
Agenda tem baixa adesão de políticos
Faltando 11 semanas para a eleição de 4 de outubro, a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, atraiu somente um dos sete prefeitos do Grande ABC e registrou baixa adesão de lideranças políticas da região. O cenário foi o oposto à agenda promovida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na mesma cidade há quase dois meses, quando todos os sete mandatários municipais se reuniram.
Nem mesmo o prefeito anfitrião, Tite Campanella (Republicanos), esteve presente à solenidade com Lula. O município foi representado pelo secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Turismo, Tecnologia e Inovação, Pio Mielo. O único chefe de Executivo a comparecer ao evento na instituição de ensino são-caetanense foi Marcelo Oliveira (PT), de Mauá.
Bem diferente do que ocorreu em 14 de maio, quando Tarcísio realizou a edição da Caravana 3D em São Bernardo, São Caetano e Diadema. Em restaurante no município são-caetanense, o governador reuniu os sete prefeitos, incluindo Marcelo Oliveira, único petista à frente de uma das 39 cidades da Região Metropolitana de São Paulo. Na ocasião, o governador anunciou cerca de R$ 740 milhões para a Saúde do Grande ABC, incluindo a tabela SUS Paulista, para ajudar no custeio de 13 hospitais municipais.
O comparativo entre as duas agendas também reforça a divisão de palanques nas sete cidades para a corrida ao Palácio dos Bandeirante. Cinco prefeitos devem fazer coro para a reeleição de Tarcísio, enquanto o principal adversário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), deverá contar somente com respaldos de Mauá e de Rio Grande da Serra, esta administrada por Akira Auriani (PSB), filiado ao partido do pré-candidato a vice-governador na chapa do petista, Márcio França, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, presente na agenda desta segunda.
Com relação ao Palácio do Planalto, os prefeitos têm evitado manifestações públicas sobre o cenário eleitoral. A exceção é Marcelo Oliveira, que já ressaltou apoio ao quarto mandato presidencial de Lula. Inclusive, em fevereiro, o presidente escolheu Mauá para anunciar recursos à região, reunindo, na ocasião, todos os sete chefes do Executivo.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.