Economia Titulo Corrida contra o tempo

Abiquim pede exclusão do setor químico brasileiro da tarifa proposta pelos EUA

Entidade diz que medida elevaria custos a norte-americanos e ampliaria o espaço de fornecedores asiáticos; prazo para definição termina nesta quarta-feira (15)

Beatriz Mirelle
14/07/2026 | 08:03
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Celso Luiz 19/3/25
Celso Luiz 19/3/25 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química) encaminhou uma manifestação formal ao USTR (sigla em inglês para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) para solicitar que os produtos químicos e petroquímicos brasileiros sejam excluídos da proposta de aplicação de tarifa adicional de 25% sobre as exportações brasileiras. O prazo para o governo de Donald Trump definir se as novas cobranças entrarão em vigor termina nesta quarta-feira (15). 

Segundo a entidade, o Polo Petroquímico do Grande ABC é o primeiro do País e referência histórica e estratégica para o setor nacional. Atualmente, concentra 890 empresas ligadas à cadeia química. O ramo no Brasil corresponde a 11% do PIB (Produto Interno Bruto) industrial do País. 

Em levantamento sobre os possíveis prejuízos, a CNI Confederação Nacional da Indústria) indica que 4.100 produtos nacionais, o equivalente a US$ 14,9 bilhões em exportações, podem ser afetados. Em paralelo, o presidente Lula (PT) declara que “não vai ter tarifaço”.

DGABC

A Abiquim argumenta que novas taxas podem aumentar os custos da indústria dos Estados Unidos, pressionar preços ao consumidor e reduzir a competitividade de diversos segmentos industriais norte-americanos, além de abrir portas para o mercado asiático. 

“Em 2025, os EUA exportaram cerca de US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil, enquanto as exportações brasileiras para o mercado norte-americano somaram aproximadamente US$ 2,1 bilhões. Estamos falando de um superávit de US$ 9,4 bilhões para os Estados Unidos. Por isso, entendemos que a adoção de tarifas adicionais não encontra justificativa sob a ótica da complementaridade existente entre as duas indústrias”, afirma o presidente-executivo da Abiquim, André Passos Cordeiro

O USTR propôs as medidas após concluir que o Brasil adota atividades que “oneram ou restringem” os norte-americanos e citou métodos de pagamento, como Pix, desmatamento ilegal, falhas na aplicação de leis anticorrupção e pirataria. Segundo Cordeiro, restringir o acesso dos produtos brasileiros tende a abrir espaço para fornecedores de outros países, o que prejudicaria os Estados Unidos. 

"Os produtos químicos brasileiros são utilizados como insumos por diversos segmentos industriais dos EUA, como os setores de embalagens, saúde, higiene, construção civil, agricultura e indústria automotiva. Dessa forma, a aplicação de tarifas tende a elevar custos ao longo das cadeias produtivas e reduzir a competitividade da própria indústria americana”, informa Cordeiro.

A associação também solicita que o setor seja retirado da investigação paralela relacionada a alegações de trabalho forçado. Defende, ainda, a concessão de exclusões específicas para produtos considerados estratégicos para as cadeias produtivas norte-americanas, assim como o aprofundamento da cooperação bilateral por meio de uma agenda voltada à facilitação comercial e à convergência regulatória.

“A parceria entre Brasil e EUA foi construída ao longo de décadas com base na integração industrial, nos investimentos e na confiança entre os dois países. Preservar esse ambiente de cooperação é fundamental para ampliar a competitividade, estimular novos investimentos e fortalecer cadeias produtivas que geram benefícios para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os lados”, conclui André Passos Cordeiro. 

O especialista em Comércio Exterior Jackson Campos pontua que o mercado nacional teria menor previsibilidade para vender para os Estados Unidos em caso da aprovação da tarifa adicional de 25%. “O impacto mais sensível tende a recair sobre produtos industriais e de maior valor agregado. São itens mais difíceis de redirecionar rapidamente para outros destinos. Nesse caso, os exportadores podem ter perda de margem, revisão de contratos e renegociação de preços.”

Se a tarifa for rejeitada, ele diz que o efeito imediato seria de alívio para o exportador brasileiro e que, mesmo assim, a relação comercial não voltaria automaticamente ao normal, porque o processo mostra que os Estados Unidos estão dispostos a usar instrumentos comerciais contra o Brasil em temas regulatórios, ambientais, digitais e de acesso a mercado. 


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