Taxas Em agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, petista criticou a política externa dos Estados Unidos e defendeu o aumento da produção de biocombustíveis como resposta à crise energética
Celso Luiz/DGABC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de cobrar uma taxa de 20% sobre toda carga transportada pelo Estreito de Ormuz com a justificativa de proteger a navegação. Em agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano, o petista afirmou que, antigamente, medidas como essa eram chamadas de "pirataria" e que não se pode aceitar que uma guerra seja estabelecida pelos norte-americanos.
Mais cedo, Trump declarou que será o guardião da hidrovia, responsável por 20% do transporte global de petróleo e gás natural. Pela rede social Truth Social, o republicano declarou que o processo de implementação da cobrança começará imediatamente. "Hoje, ele disse que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, mas que cada navio que passar terá de pagar 20% a ele. Antigamente, isso era chamado de pirataria. Ele não tem que cobrar. O Estreito de Ormuz é responsabilidade dele", comentou Lula.
O presidente visitou as instalações que realizam testes para aumentar a proporção de biodiesel brasileiro, uma das medidas para superar a crise energética global, impulsionada pelos recentes ataques dos Estados Unidos ao Irã. "Nós não podemos aceitar que a guerra seja imposta pelos Estados Unidos, sob a justificativa de que o Irã faria uma arma nuclear. Posso dizer que isso é mentira, porque o Irã assinou um documento afirmando que não faria arma nuclear. Da mesma forma, inventaram que Saddam Hussein (ex-presidente do Iraque) faria armas químicas, e não tinha. E o preço da guerra está chegando no valor do feijão, do arroz, do tomate e da cebola, porque tornou o combustível mais caro", disse.
As falas ocorrem em meio às negociações do governo brasileiro com os Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de até 25% nas exportações de produtos nacionais. O prazo para que a Casa Branca decida se as cobranças entrarão em vigor termina nesta quarta-feira (15).
ESTRATÉGIAS
Em apenas seis meses, o preço médio de revenda do óleo diesel no Grande ABC subiu de R$ 6,06 na primeira semana de janeiro, entre os dias 4 e 10, para R$ 6,86 no balanço mais recente, de 28 de junho a 4 de julho. Impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, o cenário pressiona as margens das empresas e interfere na base financeira das operações comerciais.
Como tentativa de frear os aumentos em todo o Brasil, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior decidiu na semana passada manter em 12% a alíquota do imposto de exportação sobre óleos brutos de petróleo e de minerais betuminosos. A medida vale por até 60 dias e será reavaliada após 30 dias. “Nós tomamos a decisão de criar imposto pelo petróleo que nós exportamos, 12% de cobrança para subsidiar os brasileiros para que o preço do feijão não suba por causa da guerra do senhor Trump. E o Brasil não precisa morrer por causa do petróleo. Ao longo do tempo, vamos preparar o Brasil e a humanidade de que podemos viver sem combustível fóssil.”
A agenda no Grande ABC ocorreu porque o Instituto Mauá de Tecnologia foi escolhido pelo governo federal para integrar grupo de estudo de avaliação e viabilidade técnica para descobrir se é viável o aumento da mistura de biodiesel, produzido a partir de fontes vegetais ou de gorduras animais, ao óleo diesel, derivado de petróleo, em percentuais que podem chegar a até 25% – atualmente é de 15%.
Lula ressaltou que a universidade é um espaço para que jovens juntem teoria com prática e explorem todo o conhecimento que possuem. “Nossos pesquisadores sabem da importância de transformar cada tese em um produto. E o que vemos aqui é isso: são meninas e meninos que aprendem engenharia e tentam transformar aquilo que aprenderam em um produto mais sofisticado, como biodiesel e etanol.”
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