
Uma cena curiosa marcou a eliminação do Egito nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. O técnico Hossam Hassan deixou o gramado do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, revoltado com um torcedor argentino que festejou a vitória por 3 a 2, de virada, exibindo uma bandeira de Israel nas arquibancadas. Em imagens que circulam nas redes sociais, é possível ver Hassan se dirigindo ao túnel de acesso aos vestiários apontando para o escudo da Federação Egípcia na camisa e olhando em direção ao torcedor com bandeira israelita.
Hassan é apoiador da causa Palestina e, em diferentes oportunidades, utilizou da influência de seu cargo para falar sobre o tema. O treinador chegou a comemorar a classificação do Egito às oitavas de final da Copa do Mundo empunhando uma bandeira da Palestina. O território, localizado entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, é local de conflito histórico e permanente no Oriente Médio.
"Se alguém não sentiu o sofrimento do povo palestino, não tem humanidade", disse Hassan, em coletiva de imprensa anterior ao confronto com a Argentina. "Ter um teto, ar-condicionado. Isso não vale para o povo palestino. Para as crianças.
Temos que sentir essa empatia, seja você cristão ou muçulmano. Quando choveu aqui, buscamos refúgio. Lá, não há refúgio. Deveríamos nos envergonhar como humanidade. Todos somos iguais. Temos a mesma cara, os mesmos traços.
Todo mundo faz vista grossa. Se distraem com outras coisas." O Egito é uma das nações que apoiam a criação de um Estado Palestino independente e é o destino de milhares de refugiados na Faixa de Gaza. O país mantém relações diplomáticas com Israel e atua como intermediário nas negociações de cessar-fogo, além de facilitar a entrada de ajuda humanitária.
"Minha mensagem é usar o futebol. Dar uma vida digna ao povo palestino. Levamos o logo da Fifa por respeito, queremos respeitar o ser humano. Queremos jogo limpo na vida", declarou Hassan. O apoio de treinador chegou ao conhecimento do povo em Gaza.
Antes da partida contra a Argentina, circulou nas redes sociais uma bandeira com a imagem de Hassan erguida por pessoas em um prédio em ruínas. A solidariedade à causa palestina não é exclusiva de Hassan no Egito. Em 2025, o atacante Mohamed Salah, ex-Liverpool, também se manifestou publicamente sobre o tema ao contestar uma publicação da Uefa.
A entidade havia prestado homenagem ao ex-jogador Suleiman Al-Obeid, conhecido como o "Pelé palestino", sem citar que a morte ocorreu em um bombardeio israelense na Faixa de Gaza. Nos comentários da postagem, o atacante da seleção egípcia questionou. "Pode nos dizer como ele morreu, onde e por quê?"
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