Estados Unidos Gigantes como Coca-Cola, eBay, Nestlé, Tesla e Faber-Castell se disseram contrárias à proposta
FOTO: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian

Lista de 335 empresas e organizações brasileiras e norte-americanas se manifestaram formalmente sobre a medida do governo dos Estados Unidos de propor tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, anunciada em julho deste ano, com base na seção 301, dispositivo legal que permite aos norte-americanos impor tarifas coercitivas sobre mercadorias de países cujas atividades estariam supostamente prejudicando o setor comercial dos Estados Unidos. Outras 30 manifestações de pessoas físicas foram registradas.
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu espaço em seu portal para receber comentários sobre a medida e o prazo para envio das manifestações terminou em 1º de julho. Entre as empresas que se manifestaram estão gigantes de seus setores, como a Coca-Cola, eBay, Nestlé, Faber-Castell e Tesla. Além do posicionamento do governo brasileiro, diversas entidades setoriais do País também registraram posicionamento no portal do USTR, como a CNA (Confederação Nacional da Indústria) e a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
O governo Trump justificou a taxação em razão de “políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
As empresas contrárias à resolução alegam que este novo tarifaço pode trazer ônus a curto prazo nas cadeias de produção e que a medida prejudica os norte-americanos em detrimento dos investigados.
COOPERAÇÃO
Em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas, o Brasil identificou abertura dos Estados Unidos para ampliar a cooperação bilateral no combate ao crime transnacional, disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Após nova rodada de reuniões técnicas com representantes do USTR, Rosa avaliou que houve avanços em um tema considerado estratégico pelo governo. “Nós tratamos de um pedido que o presidente Lula tem feito de cooperação integrada de combate ao crime transnacional. Há reconhecimento de que é possível avançar nesse ponto”, disse.
Segundo o ministro, a expectativa é realizar ainda nesta semana nova reunião técnica e encontro político com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, antes do encerramento da consulta pública que antecede a decisão sobre as tarifas.
Apesar do avanço em alguns temas, Márcio Elias Rosa reforçou que o governo pretende manter as negociações restritas à questão tarifária. “A principal orientação do presidente é que não sairemos da mesa e também não deixaremos que outros temas sejam discutidos”, disse o ministro, que também voltou a defender que o etanol permaneça fora das negociações comerciais entre os dois países.
RECUO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, citou o PIX e usou a estratégia de criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para pedir que os Estados Unidos recuem nas sobretaxas impostas a produtos brasileiros. Segundo o senador, as tarifas têm sido usadas pelo atual governo para benefício político.
“Essas tarifas foram exploradas politicamente pelo atual governo brasileiro. Uma tarifa de 25% penaliza todo o povo brasileiro, exceto justamente as autoridades responsáveis por essas decisões”, afirmou, na audiência no USTR), em Washington.
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