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Trabalho e IA: progresso ou regresso?

Guilherme Augusto
06/07/2026 | 11:43
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A tecnologia é indispensável e facilita o acesso das pessoas a inúmeras ferramentas úteis para o dia a dia. Todavia, ela é ambivalente, ou seja, é um mecanismo que pode ser concomitantemente bom e ruim; o que vai definir o seu significado é apenas o modo como cada pessoa a utiliza. 

Alguns instrumentos surgem na sociedade e acabam se tornando parte da rotina das pessoas. As inteligências artificiais são ferramentas que possuem essa característica e, com os avanços da IA (Inteligência Artificial), percebemos como ela se inseriu em todos os setores da sociedade. 

No trabalho, essa ferramenta é indispensável, pois promove automação, inovação, aumento da produtividade e correção de textos, sendo útil em várias áreas e facilitando muito a vida dos profissionais. 

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O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han discorre sobre a sociedade do desempenho, na qual entende que produzir, gerar e criar, são leis. Se antes a sociedade era disciplinar, com proibições, regras e vigilância extrema, hoje o desempenho e o sucesso são princípios centrais na vida das pessoas. Os discursos motivacionais e a busca pelo desempenho ilimitado têm gerado consequências como depressão e burnout entre tantos problemas que afetam a humanidade. A pausa e o limite não têm mais espaço nesta sociedade de autoexploração, conforme enfatiza o autor. Com as inteligências artificiais, a busca por desempenho e perfeição pode amplificar ainda mais esses problemas, gerando muito mais malefícios do que benefícios às pessoas. 

Ao final, a busca por perfeição e eficiência pode criar indivíduos dependentes destas tecnologias, abrindo espaço cada vez menor para a criatividade, o estudo e o trabalho intelectual. Quando uma máquina determina o ritmo das pessoas, significa que o ser humano acabou perdendo o controle. 

Usar estas ferramentas com parcimônia, entendendo que a criatividade depende de paz e tranquilidade, e que nem tudo na vida se resume em produzir e ser eficiente, precisa ser uma prioridade. É necessário entender que cada um tem o seu ritmo, sendo que a tecnologia precisa ser um auxiliar e não o governante da vida humana. 

A palavra ferramenta pode ser definida como qualquer instrumento que ajude uma pessoa a realizar uma tarefa. Ela promove eficiência e contribui para a execução de atividades. Diante disso, precisamos relembrar esse conceito diariamente para não permitir que a tecnologia acabe sendo um empecilho para à criatividade das pessoas. 

Guilherme Augusto é professor regente mestre da Uninter, atua na área de Geociências, vinculado à ESEHL (Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas).

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