Setecidades Titulo Saúde

Emoções na Copa: Grande ABC tem média de sete internações diárias por infarto

Dor no peito e falta de ar são os principais sinais para buscar ajuda, explica cardiologista; casos chegaram a 832 no ano

05/07/2026 | 16:00
Compartilhar notícia
Rafael Ribeiro/CBF
Rafael Ribeiro/CBF Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No primeiro quadrimestre do ano, 832 pessoas precisaram de atendimento hospitalar por infarto no Grande ABC, média de sete internações por dia, de acordo com dados do DataSUS, plataforma do Ministério da Saúde. São Bernardo lidera o número de casos, com 269 internações, seguido por Santo André (200), Mauá (126), Diadema (117), São Caetano (85), Ribeirão Pires (29) e Rio Grande da Serra (6). No mesmo período de 2025, foram registrados 877 atendimentos por infarto na região.

De janeiro a abril deste ano, 51 pessoas morreram em decorrência de infarto no Grande ABC. Santo André concentrou o maior número de óbitos (18), seguido por São Bernardo (12), Diadema (7), São Caetano (6), Mauá (6), Ribeirão Pires (1) e Rio Grande da Serra (1). No mesmo período do ano passado, foram contabilizadas 64 mortes.

Em meio ao período de Copa do Mundo, quando partidas decisivas costumam provocar fortes emoções entre os torcedores, a combinação entre estresse, ansiedade e hábitos pouco saudáveis pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, especialmente entre pessoas que já possuem fatores de risco.

DGABC

Segundo informações, um homem de 65 anos sofreu um infarto no dia 29 de junho durante os minutos finais da partida entre Brasil e Japão, pelas 16 avos de final do Mundial, em uma padaria no Jardim Silvina, em São Bernardo. A vítima recebeu atendimento no local e foi encaminhada ao hospital. O nome e o estado de saúde do homem não foram divulgados. 

A emoção intensa provoca uma resposta natural do organismo, com liberação de adrenalina e cortisol, aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a necessidade de oxigênio pelo coração, conforme explica o cardiologista intervencionista Rodrigo Esper, membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. “Na maioria das pessoas, essa é uma resposta fisiológica normal. Entretanto, em pessoas com doenças cardíacas ou fatores de risco, essa sobrecarga pode favorecer eventos cardiovasculares, como o infarto”, pontua Esper.

O médico destaca que hipertensos, diabéticos, fumantes, obesos, sedentários, pessoas com colesterol elevado, insuficiência cardíaca, histórico de infarto ou arritmias devem ter atenção redobrada durante partidas muito emocionantes.

De acordo com o especialista, fora a emoção do jogo, hábitos comuns durante as partidas aumentam o risco cardiovascular. “O consumo excessivo de álcool, alimentos gordurosos, cigarro, energéticos, cafeína e outros estimulantes aumentam ainda mais a frequência cardíaca e a pressão arterial, somando-se ao estresse emocional do jogo.”

O especialista reforça que reconhecer rapidamente os sintomas pode salvar vidas. Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor excessivo, tontura, palpitações, dor irradiando para o braço, costas ou mandíbula, sensação de desmaio e mal-estar intenso são sinais que exigem atendimento médico imediato.

SUSTO

A experiência do aposentado Ladislau Gonçalves Neto, 72 anos, morador de São Bernardo, mostra a importância de reconhecer os sintomas e buscar atendimento rapidamente. Cerca de um mês antes do infarto, ele começou a sentir um aperto no peito e um cansaço incomum, sinais que surgiam de forma intermitente e foram se intensificando. “Sabia que estava sentindo alguma coisa que não era normal. Comecei a sentir um aperto no peito e fiquei cansado para andar”, relembra.

Com o agravamento da dor e da pressão arterial, o aposentado retornou a unidade de saúde. Após avaliação, foi diagnosticado com infarto e transferido para o Hospital das Clínicas do município. Na unidade, exames identificaram uma artéria totalmente obstruída, o que levou à realização de um cateterismo de emergência. Dias depois, ele também foi submetido a uma angioplastia para desobstruir outra artéria. “A minha veia estava entupida 100%. Se não tomassem providência naquela hora, acho que não tinha mais tempo. Hoje estou bem e não fiquei com nenhuma sequela.”


LEIA TAMBÉM:

Polícia oferece R$50 mil por informações sobre suspeito de atirar em tenente em São Caetano




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;