Patrimônio Criado há oito anos por duas empreendedoras de Santo André, evento reúne 80 expositores, neste domingo (5), no Cine Theatro Carlos Gomes
Marília diz que viu junto com a sócia potencial para mudar cenário da moda no Grande ABC. FOTO: Celso Luiz/DGABC

O que começou como alternativa para duas empreendedoras venderem roupas de segunda mão se transformou em um dos maiores eventos do segmento no Grande ABC. Criada há oito anos em Santo André, a Feira de Brechós da região reúne cerca de 80 empreendedores de moda, gastronomia, música e economia criativa. Além de movimentar pequenos negócios, o evento, que ocorrerá neste domingo (5) Cine Theatro Carlos Gomes, acompanha o crescimento do mercado de moda circular e do movimento slow fashion, que incentiva o consumo consciente e prolonga a vida útil das roupas.
A idealizadora Marília Vela Reis, 38 anos, moradora do bairro Silveira, criou o projeto com a sócia Miriã Santos, 40 anos, residente na Vila Alzira, também no município andreense. Marília relata que a iniciativa surgiu a partir da dificuldade que ambas enfrentavam para encontrar espaços de venda na região. As duas mantinham brechós on-line e precisavam ir à Capital para conquistar clientes. “Acreditamos muito no potencial do Grande ABC e pensamos: por que não criar um evento aqui? O nosso intuito era ter um local de vendas. Foi assim que nasceu a feira”, afirma.
Formada em Administração, Marília trabalhou em empresas da iniciativa privada até decidir mudar de carreira. O interesse pelos brechós surgiu da afinidade com o garimpo de peças e da preocupação com questões ambientais. O primeiro negócio nasceu dentro da própria casa.
Com a chegada dos filhos e o aumento das responsabilidades na organização da feira, ela optou por concentrar os esforços na produção do evento e em outros projetos culturais. Segundo ela, administrar um brechó exige dedicação em todas as etapas, desde encontrar e recuperar as peças até o atendimento aos clientes.
O evento reúne aproximadamente 60 brechós por edição. Ao todo, são mais de 80 empreendedores, já que o espaço também recebe expositores de upcycling (transformar materiais que iriam para o lixo em novos produtos), artesanato, alimentação e outras iniciativas. A programação ainda inclui atrações culturais, oficinas e discotecagem,
Depois de mais de 50 edições, a feira passou a representar uma fonte de renda às organizadoras. Para Marília, a diversidade explica o crescimento do evento. “A gente acredita muito em ser um espaço democrático. Tem a Trocaria, que funciona de forma totalmente gratuita. A pessoa leva uma roupa, que vira moeda de troca e consegue escolher outra peça. Às vezes, ela não tem dinheiro, mas pode participar do evento mesmo assim. Acreditamos em criar um encontro de pessoas, não apenas um espaço de venda”, diz.
Além da economia, a empresária atribui o avanço do setor à mudança de comportamento dos consumidores. Ela afirma que o preconceito contra roupas de segunda mão diminuiu nos últimos anos e abriu espaço para um público preocupado com sustentabilidade, consumo consciente e qualidade das peças. “Muitas roupas antigas têm qualidade superior à de peças novas vendidas pelo fast fashion (modelo de produção baseado na fabricação rápida e no consumo acelerado de roupas) e também permitem que cada pessoa desenvolva o próprio estilo.”
Na avaliação da organizadora, a popularização do slow fashion – movimento que incentiva o consumo consciente e a compra de peças mais duráveis – especialmente entre os mais jovens contribuiu para esse cenário. “A geração Z (nascidos entre 1995 e 2010) tem bastante influência nisso por compartilhar esse tipo de conteúdo. As pessoas passaram a enxergar os benefícios ambientais, econômicos e até de estilo que o brechó oferece”, destaca Marília.
Apesar do crescimento, manter a estrutura da feira continua um desafio. Ela explica que cada edição exige investimentos em divulgação, estrutura, equipe e montagem. Atualmente, cerca de 20 pessoas trabalham diretamente na organização do evento. “O nosso maior desafio é o custo. Gostaria de investir muito mais em marketing e estrutura, mas o dinheiro arrecadado em cada edição praticamente cobre as despesas. É um trabalho colaborativo.”
O objetivo, agora, é conquistar patrocinadores e incentivos públicos para ampliar o projeto e fortalecer a economia criativa na região. “O nosso sonho é conseguir trabalhar com apoiadores para ampliar a feira sem depender apenas das inscrições dos expositores. A gente acredita que o Grande ABC merece eventos culturais desse porte e queremos continuar essa expansão”, afirma Marília.
A Feira de Brechós do Grande ABC ocorre neste domingo (5), das 8h30 às 16h30, no Cine Theatro Carlos Gomes (Rua Senador Fláquer, 110), em Santo André. A primeira hora da programação conta com atendimento preferencial, com som ambiente e entrada voltada para PCDs (pessoas com deficiência), idosos, gestantes, acompanhantes de crianças de colo e pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista).
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