
A maioria dos venezuelanos desaprovam a resposta do governo da Venezuela aos terremotos de 24 de junho, segundo uma pesquisa da Bloomberg/Atlas Intel. A crise elevou a pressão política sobre a presidente interina, Delcy Rodríguez, no fim de seu mandato temporário.
A pesquisa da Atlas Intel, realizada para a Bloomberg News, mostra que 65,4% desaprovam a resposta do governo do país e das autoridades competentes frente ao terremoto. 19,3% afirmaram aprovar, enquanto 15,3% responderam que não sabem. Já a desaprovação de Rodríguez subiu para 63,3% em junho, avanço de quase cinco pontos em relação ao mês anterior.
A líder venezuelana defendeu sua atuação em uma coletiva de imprensa, afirmando que as críticas são motivadas por interesses político-partidários e que as equipes de resgate foram mobilizadas imediatamente. Já a sua rival, María Corina Machado, afirmou que a resposta ao terremoto expôs fragilidades críticas do país. Machado também defendeu o seu retorno à Venezuela, afirmando que a sua presença estabilizaria a situação e poderia "contribuir para facilitar o processo de transição".
Ao todo, mais de 2.295 pessoas morreram e outras 11.000 ficaram feridas após os terremotos, segundo dados oficiais, mas os números não são atualizados desde a quarta-feira.
Segundo a Associated Press, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - que apoia Delcy Rodriguez -, teria ficado "frustrado" após Machado ter solicitado assistência dos EUA para voltar à Venezuela, segundo dois funcionários seniores americanos. Os EUA acreditam que Machado quer retornar para liderar protestos e pressionar por mudanças políticas. Ainda segundo as fontes, Delcy Rodríguez decidiu fechar o espaço aéreo de Caracas após tomar conhecimento dos planos de Machado.
O mandato de Rodríguez teria duração inicial de até 90 dias, podendo ser prorrogado pela Assembleia Nacional do país por mais 90 dias. Hoje, esse período de 180 dias expirou. Apesar das autoridades ainda não terem dado uma resposta sobre o que vai acontecer ao término do mandato de Rodríguez, a pesquisa da Bloomberg/Atlas Intel aponta que 45,7% dos ouvidos acreditam que novas eleições são mais urgentes agora do que antes do terremoto, enquanto 32,6% acreditam que um pleito é menos urgente e se deve priorizar a reconstrução das áreas afetadas.
A pesquisa, realizada entre 26 e 30 de junho, ouviu 2.581 adultos da Venezuela.
*Com informações da Associated Press
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