
O gol anulado da Croácia nos acréscimos da derrota por 2 a 1 para Portugal, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, segue gerando debates. A decisão da arbitragem, baseada no sensor instalado na bola para detectar o momento exato do toque antes da marcação do impedimento semiautomático, dividiu opiniões. Para Paulo Caravina, analista de arbitragem do Estadão, no entanto, a tecnologia deve prevalecer, mesmo que o contato não seja perceptível nas imagens.
Segundo ele, o sistema foi desenvolvido justamente para identificar detalhes impossíveis de serem vistos a olho nu e definir com precisão o instante em que a bola é tocada. "Geralmente o VAR já vibra ali acima de 10 centímetros, mas não pegou provavelmente o toque no momento ali, o toque do jogador que desvia ali. Eu não costumo não desconfiar de equipamento, da máquina ali, mas é um lance que a gente não consegue ver visualmente, mas é criado para exatamente isso."
Caravina explicou que o sensor presente na bola faz parte do funcionamento do impedimento semiautomático e serve para determinar exatamente quando ocorre o primeiro contato, permitindo que o sistema trace a linha da posição dos jogadores. "O que acontece? Quando foi-se criar o impedimento semiautomático, tinha que determinar o momento do toque na bola.
E para a regra, o momento tem que ser o inicial. Então eles criaram esse sensor para definir quando iniciar o contato na bola, para o VAR semiautomático conseguir traçar essa linha. Então esse sensor capta ali qualquer movimento, qualquer contato da bola leve que seja, pode ter sido o cabelo ali.
Pela curta curva que faz ali, pode ter sido o cabelo. E se for o cabelo também, inabilita o jogador adversário." Outro ponto levantado após a partida foi o desvio da bola na cabeça de um jogador português antes de ela chegar ao atacante croata.
O analista ressaltou, porém, que esse tipo de lance não caracteriza uma ação deliberada e, por isso, não reinicia a jogada para efeito de impedimento. "O que deixa mais dúvida, que eu vi o pessoal comentando também, é que desvia num jogador de Portugal. Bate na cabeça do jogador de Portugal.
E aí me perguntaram se essa questão de desviar no jogador de Portugal não habilitaria o atacante. E não, porque a gente tem que considerar esse desviar como desvio, e não uma ação deliberada de tentar jogar. Você vê que ele nem tem intenção de jogar ali, apenas a bola bate na cabeça dele e depois vai para o atacante da Croácia."
Na avaliação de Caravina, apesar da dificuldade em identificar o toque nas imagens disponíveis, a decisão foi correta por seguir o funcionamento da tecnologia utilizada pela arbitragem. "Então dentro desse lance, explicando para a regra, por mais que seja um lance difícil, é simples. Teve o contato ali, a partir dali traça a linha e anula o gol corretamente, só com tecnologia.
Eu procurei todos os ângulos na imagem, já coloquei aqui no Flamengo a Flamengo, não consigo identificar esse contato. A gente tem que confiar na tecnologia, não tem o que fazer." O lance ocorreu nos acréscimos da vitória portuguesa sobre a Croácia por 2 a 1.
Após revisão do VAR, o gol de empate croata foi invalidado por impedimento, decisão que provocou reclamações dos jogadores, especialmente do capitão Luka Modric. Com o resultado, Portugal avançou às oitavas de final da Copa do Mundo e terá pela frente a Espanha na próxima fase, em Arlington, nos Estados Unidos.
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