Cognição Estudos que acompanham pessoas antes e depois de começarem a tocar reforçam essa direção, inclusive entre quem inicia já idoso
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A ideia de que aprender música é coisa de criança está sendo desmontada pela ciência. Estudos recentes mostram que tocar um instrumento na vida adulta, mesmo começando depois dos 40 anos, está associado a melhor memória e raciocínio e pode ajudar a preservar o cérebro com o envelhecimento.
Os pesquisadores deste projeto afirmam que ser musical seria uma forma de mobilizar a chamada reserva cognitiva, a margem de proteção que o cérebro constrói ao acumular estímulos ao longo da vida. Atividades que exigem esforço mental sustentado alimentam essa margem. O aprendizado de um instrumento mobiliza ao mesmo tempo audição, leitura, coordenação motora, memória e atenção.
O tema entrou no debate sobre prevenção de demência. Em 2020, uma comissão da revista The Lancet listou doze fatores de risco modificáveis associados a cerca de 40% dos casos no mundo, entre eles o baixo estímulo cognitivo. Pesquisadores brasileiros calcularam que, no país, atuar sobre esses fatores poderia prevenir ou adiar até 48% dos casos. O recorte importa no Brasil, onde cerca de 1,8 milhão de pessoas já convivem com algum quadro de demência, segundo estimativas citadas por pesquisadores da Unifesp.
Há uma ressalva. A maior parte dos estudos é observacional, ou seja, mostra associação, não causa. Não dá para afirmar que tocar um instrumento, sozinho, previne a demência. O que os dados sustentam é que a prática musical integra um conjunto de hábitos ligados a um cérebro mais preservado. Estudos que acompanham pessoas antes e depois de começarem a tocar reforçam essa direção, inclusive entre quem inicia já idoso.
Aprender online, no próprio ritmo
Se compensa começar na vida adulta, resta saber como. Para muita gente, a resposta passou a ser a internet. O ensino musical online se multiplicou na última década e permitiu estudar em casa instrumentos que antes exigiam escola ou professor particular. O violino, apesar da fama, entrou nessa onda.
Lauton diz que o perfil de quem o procura se repete: adultos que começaram depois dos 30 anos, muitos vindos de igrejas ou de aulas informais. Segundo o violinista, sua base reúne mais de 2 mil alunos, em todos os estados do Brasil e em mais de 26 países, e o canal no YouTube que já ultrapassa os 250 mil inscritos. Ele defende que o adulto aprende diferente da criança e precisa entender o motivo de cada etapa, ponto que associa à andragogia, área que trata da aprendizagem de adultos. "Adulto precisa entender o porquê do que está fazendo. Se não tiver sentido, ele simplesmente para", afirma.
Os especialistas reforçam que a prática musical não substitui acompanhamento médico nem garante proteção contra doenças neurodegenerativas. O que ela oferece, segundo os dados, é um estímulo consistente a um cérebro que, em qualquer idade, segue capaz de aprender.
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