Mistério Márcio Cunha Pereira foi achado horas depois do combate às chamas, em Santo André; polícia aguarda conclusão da pericia e realiza diligências
FOTO: Denis Maciel

O que inicialmente parecia ser apenas um incêndio em uma residência no Jardim Oriental, em Santo André, se transformou em uma investigação de homicídio cercada de mistérios. O corpo do pedreiro Márcio Cunha Pereira, 51 anos, foi encontrado horas depois do combate às chamas, escondido sob escombros dentro do imóvel, com as mãos e os pés amarrados e um pedaço de pano na boca.
O caso aconteceu na manhã de terça-feira (30), na Rua Caiubi. Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), policiais militares foram acionados para atender a um incêndio e, ao chegarem ao local, encontraram a casa parcialmente destruída pelo fogo. Naquele primeiro momento, nenhuma vítima foi localizada e o imóvel foi tratado como um caso de danos materiais.
Ainda conforme o registro policial, bombeiros e equipes da Defesa Civil estiveram no endereço para controlar o incêndio. A investigação mudou de rumo horas depois, quando peritos retornaram ao imóvel para uma análise mais detalhada. Durante os trabalhos, localizaram um cadáver parcialmente carbonizado sob os escombros.
A vítima estava com as mãos e os pés amarrados e um pano introduzido na boca, o que levou o caso a ser tratado como homicídio qualificado. “Meu tio tinha todos os motivos do mundo para ser uma pessoa ruim, cresceu sem o amor dos meus avós, com uma infância muito difícil, mas escolheu ser uma pessoa boa. Era simples, trabalhador e ajudava todo mundo, mesmo sem ter quase nada. Não tinha inimizades, não se envolvia em brigas, nem devia para ninguém. A gente só quer respostas e que isso não vire mais um caso esquecido”, afirmou o sobrinho da vítima, o comerciante Igor Rodrigues, 26.
Segundo ele, o pedreiro morava sozinho, residia na casa do crime há 30 anos e levava uma rotina conhecida pelos moradores da comunidade. “Ele acordava cedo, tomava café após ir à padaria e trabalhava o dia inteiro. Ele dormia até com a porta encostada, porque confiava nas pessoas. Se ele tivesse algum problema com alguém, a comunidade saberia”, contou.
família também afirma ter encontrado imagens de câmeras de segurança que mostram a movimentação de pessoas em horários próximos ao início do incêndio. O material já foi entregue à Polícia Civil, mas, segundo o sobrinho, ainda não é possível afirmar qualquer relação com o crime.
Outro ponto que causa indignação entre os parentes é o fato de o corpo só ter sido encontrado horas após o incêndio ser controlado. “A única coisa que a gente busca hoje são respostas. É um mistério para toda a família. A gente quer saber o que aconteceu e quem fez isso com ele”, disse.
Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) informou que o caso é investigado pelo Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Santo André. Segundo a Pasta, a autoridade policial aguarda a conclusão do laudo pericial e realiza outras diligências para esclarecer a autoria e a motivação do crime.
Na tarde de quinta-feira (2), a polícia civil esteve novamente no local do crime em busca de informações sobre o caso.
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