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Em 6 anos, número de alunos negros na UFABC cresce 61%

Apesar dos avanços, população encontra barreiras no mercado de trabalho; hoje é celebrado o Dia de Combate à Discriminação Racial

03/07/2026 | 08:03
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FOTO: Celso Luiz 12/8/25
FOTO: Celso Luiz 12/8/25 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de alunos negros na UFABC (Universidade Federal do ABC), que adota o sistema de cotas raciais, cresceu 61% em seis anos. Em dezembro de 2019, a instituição tinha 2.655 estudantes (20,4% do total de matriculados – 12.977) que se autodeclararam pretos ou pardos. O ano passado fechou com 4.276 cotistas do total de 15.675 (27,3%) alunos da instituição.

Apesar do avanço, os dados ainda não indicam uma equiparação educacional. Nas sete cidades, 40,5% da população é preta ou parda, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nesta sexta-feira (3), é celebrado o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial, data dedicada à conscientização sobre a importância da igualdade e ao fortalecimento da luta contra o racismo estrutural.

A população negra, mesmo tendo um maior acesso ao ensino superior devido à Lei de Cotas, número 12.711, instituída em 2012, encontra barreiras no mercado de trabalho, conforme destaca o professor da UFABC e e coordenador do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, Acácio Sidinei Almeida. “Quando lembro da foto de uma sala de aula em 1996, me alegra muito, porque a presença negra era irrisória, de apenas 4%. Mas precisamos também entender o contexto. Quando olhamos nas empresas e em alguns ambientes sociais, não vemos pessoas pretas. Mesmo com o diploma, elas não acessam os mesmos lugares”, destaca.

DGABC

O professor ressalta que o racismo estrutural não desapareceu. “As pessoas vão para a faculdade porque querem mudar sua vida e de suas famílias, e isso é possível através do emprego. Harvard já mostrou que a diversidade é um ganho para as empresas, e elas precisam acordar para isso”, avalia. “Uma empresa pode abrir uma vaga para CEO e determinar que ela será preenchida por um candidato negro”, sugere Almeida.

Os dados do IBGE confirmam essa realidade. Entre as pessoas com curso superior completo no Grande ABC, segundo o Censo de 2022, que soma 524.563, apenas 26,6% (139.898) são pretas ou pardas. Em 2010, a proporção era de 13,3%, quando 37.984 moradores negros da região tinham concluído a graduação, de um total de 281.050.

Em contrapartida, no mercado de trabalho, o cenário é bastante desigual. Trabalhadores pretos e pardos da região ganham 20% menos – R$ 2.723 contra R$ 3.405 da média geral.

OUTRAS INSTITUIÇÕES 

A Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que possui um campus em Diadema, adere ao sistema de cotas, porém não informou os dados. Na USCS (Universidade Municipal de São Caetano), instituição municipal e que não possui a política de cotas, dos 11.581 estudantes, 3.090 (26,6%) são pretos ou pardos de acordo com dados de dezembro de 2025. 

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