Sepultamento André Mancini, 36 anos foi baleada durante confusão em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greve, no bairro Camilópolis
DGABC

Trabalhador, pai, companheiro dedicado e sempre disposto a ajudar quem precisava. Foi assim que familiares e amigos se despediram, na manhã desta quinta-feira (2), do motoboy André Mancini de Souza, 36 anos, morto após ser baleado durante uma confusão em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greve, no bairro Camilópolis, em Santo André. O enterro foi realizado no Cemitério São Pedro, no Jardim Avelino, na Capital, e reuniu dezenas de pessoas.
Segundo familiares, ele havia ido à escola apenas para acompanhar a companheira, que buscaria a sobrinha, após a adolescente relatar que estava com medo de sofrer uma nova agressão.
Tia da companheira do motoboy, a podóloga Cássia Aparecida Santa Terra, 50, afirmou que a família ainda tenta compreender a perda.
"Ele era uma pessoa sensacional, trabalhador, amoroso com as crianças e com a família. Estava sempre reunindo todo mundo para momentos de alegria. Era um batalhador", afirmou.
Cássia também relembrou os momentos após os disparos. Ela contou que recebeu uma ligação da sobrinha informando que o motoboy havia sido baleado e, ao chegar à escola, encontrou o motoboy caído.
"Ele chegou vivo ao hospital, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos", disse.
Durante o velório, a familiar relatou que a companheira de André permaneceu ao lado do caixão durante toda a despedida.
"Ela está destruída. Eles foram defender uma criança e tudo terminou em tragédia."
Cássia fez um apelo para que o caso sirva de alerta sobre a violência envolvendo estudantes e familiares nas portas das escolas.
"As escolas deveriam ser lugares de aprendizado. Hoje vemos pessoas filmando brigas para publicar nas redes sociais como se fosse um troféu. Isso não é um troféu, é uma tragédia."
"O André era muito família, muito trabalhador e sempre disposto a ajudar. Em qualquer ação na comunidade, ele estava presente."
"Ele foi até a escola para proteger a afilhada. Em nenhum momento foi para brigar. Quando o homem tentou agredir a esposa dele, André apenas interveio para separar. O autor saiu, voltou armado cerca de um minuto depois e atirou. Nada vai trazer o André de volta, mas esperamos que esse crime não fique impune", declarou Chaves.
O CASO
O motoboy foi baleado na tarde de terça-feira (30), em frente à Escola Estadual Padre Aristides Greve, no bairro Camilópolis, em Santo André. De acordo com a investigação, a confusão começou após uma briga entre duas estudantes, de 14 e 11 anos. A adolescente mais nova, que teria sido ameaçada, chamou familiares para buscá-la na escola.
Durante a discussão na saída da unidade, a vítima foi atingida por disparos no peito e na virilha. Ele foi socorrido ao Centro Hospitalar Municipal de Santo André, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
O também motoboy Aldeir dos Santos, 33, foi preso na noite de quarta-feira (1º) por equipes do SHPP (Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Seccional de Santo André suspeito de ser o atirador. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública de Santo André.
De acordo com o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), ele passou por audiência de custódia nesta quinta-feira e foi definida a prisão temporária.
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