Queixas Com tarifa de R$ 40,60 em vigor desde ontem, usuários pedem melhorias na infraestrutura; Ecovias destaca investimentos de R$ 11 bi
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Os motoristas que utilizam o SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes) passaram a pagar, nesta quarta-feira (1º), R$ 40,60 para cruzar as praças de pedágio, após reajuste autorizado pela Artesp (Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo). Com o aumento de 4,91%, a tarifa subiu R$ 1,90 em relação aos R$ 38,70 cobrados anteriormente e segue como a mais alta do País para veículos de passeio e comerciais.
Apesar de o reajuste anual estar previsto no contrato de concessão e ter como base a recomposição da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), usuários ouvidos pelo Diário afirmam que o serviço prestado não evolui na mesma proporção do aumento da tarifa.
Motorista de caminhão há 30 anos, Edson Ferreira dos Santos, 60, de Itaquaquecetuba, utiliza diariamente o SAI para trabalhar. Segundo ele, o pedágio já tinha um valor elevado e o novo reajuste amplia ainda mais o impacto no orçamento, principalmente para caminhoneiros que realizam diversas viagens ao longo do dia e pagam a tarifa conforme o número de eixos do veículo. “Já era muito caro. Eu passo hoje, daqui a pouco volto e depois, passo de novo. Fora a falta de estrutura que não temos como motoristas”, relata.
Também caminhoneiro, Tarcísio Araújo, 39, de São Bernardo, considera que a estrutura oferecida não justifica o valor cobrado. Para ele, faltam diversos investimentos e auxílios nas estradas do SAI. “As rodovias não condizem com o preço que pagamos. Não tem assistência, não tem ponto de apoio. O pavimento é muito ruim, a iluminação e a sinalização precisam melhorar”, desabafou. “É caro e ruim. Agora, aumentando o valor, pior ainda.”
Segundo Araújo, que percorre frequentemente o trajeto entre o Grande ABC e as cidades da Baixada Santista, a situação se repete ao longo do percurso.
“A melhoria deveria começar pela pavimentação. Hoje você encontra buracos em praticamente toda rodovia.”
O motorista e professor da EJA (Educação de Jovens e Adultos), de São Bernardo, Carlos Miguel Martins, 65, acredita que com a implantação do free flow, sistema eletrônico de cobrança, deveria resultar em economia para os usuários.
“A tecnologia veio para baratear e melhorar. Falam em diminuir o custo, mas aumentam o pedágio? Essa conta não fecha. Demitem pessoas por conta do free flow, mas os aumentos são contínuos”, questiona.
A Ecovias prepara a implantação do sistema free flow no SAI. O modelo substituirá as cabines físicas de pedágio por pórticos equipados com câmeras e sensores capazes de identificar os veículos em movimento, eliminando a necessidade de parada para pagamento.
Com a mudança, a cobrança deixará de ocorrer apenas no sentido Capital-Litoral e passará a ser dividida entre os dois sentidos, com tarifa de R$ 20,30 na ida e R$ 20,30 na volta. A concessionária informou que a data para o início da operação ainda depende de definição da Artesp.
O aposentado Manoel Castilho, 69, de São Bernardo, considera que, embora o reajuste deste ano tenha sido pequeno, o valor do pedágio continua elevado para o serviço oferecido. “A iluminação poderia ser melhor. Com uma boa iluminação, os acidentes acabam acontecendo menos”, disse. “Na Serra também faltam pontos de apoio. Se o veículo quebra ou acontece algum problema, essa assistência é muito precária.”
A Ecovias informou que o reajuste das tarifas foi autorizado pela Artesp e considera a recomposição inflacionária dos últimos 12 meses, com base na variação do IPCA. A concessionária destacou ainda que, desde o início da concessão, em 1998, investiu mais de R$ 11 bilhões na operação, conservação e ampliação das rodovias.
Desde 2011, o valor do pedágio praticamente dobrou. Há 15 anos, a tarifa era de R$ 20,10. Em 2016, passou para R$ 25,20 e, em 2021, chegou a R$ 30,20. Nos últimos cinco anos, os reajustes foram: R$ 33,80 em 2022, R$ 35,30 em 2023, R$ 36,80 em 2024, R$ 38,70 em 2025 e, agora, R$ 40,60. O aumento acumulado no período é de R$ 10,40 (de 2022 a 2026), equivalente a 34,4%.
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