Cultura & Lazer Titulo Sem Gru, mas com identidade

Crítica: 'Minions & Monstros' prova que Pierre Coffin é a alma da franquia

Dirigido e dublado por ele, novo filme transforma os personagens em protagonistas absolutos e celebra a história do cinema, apesar de tropeçar na construção de seus vilões

01/07/2026 | 17:33
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


É praticamente impossível imaginar a franquia Meu Malvado Favorito sem Gru e seus inseparáveis ajudantes amarelos, os Minions. Da mesma forma, também é difícil dissociar o sucesso da série do trabalho de Pierre Coffin. Diretor, roteirista e dublador, ele é um dos grandes responsáveis por transformar a franquia em um fenômeno mundial, tanto nos filmes principais quanto nos derivados estrelados pelos pequenos agentes do caos.

Coffin codirigiu os três primeiros filmes de Meu Malvado Favorito (2010, 2013 e 2017) e o primeiro Minions (2015), além de emprestar a voz aos personagens em todos os longas da franquia. Agora, retorna como diretor de Minions & Monstros e, mais uma vez, dubla praticamente todos os Minions. Não há exagero em dizer que Minions e Pierre Coffin se confundem: Minions são Coffin, e Coffin é os Minions.

Na nova aventura, os personagens, consagrados como estrelas do cinema mudo, embarcam em uma jornada para encontrar criaturas assustadoras que estrelam seu novo filme de monstros. A missão surge depois que eles são deixados de lado pela indústria cinematográfica com a chegada do cinema falado.

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Desde os primeiros minutos, fica evidente que a produção tem a assinatura de Coffin. "Este é um filme muito pessoal para Pierre. Ele trabalhou em cada quadro, e é possível sentir seu amor pelo cinema ao longo de toda a obra", afirmou Chris Meledandri, fundador e CEO da Illumination. A declaração faz sentido. O longa funciona como uma verdadeira carta de amor à sétima arte, reunindo referências que vão de George Lucas e Star Wars a E.T. – O Extraterrestre, além de homenagens ao cinema clássico, aos monstros e aos gêneros que marcaram a formação do diretor.

O maior acerto de Minions & Monstros é justamente conseguir dialogar com diferentes gerações. Embora seja voltado ao público infantil, o filme desperta a nostalgia dos pais, que reconhecerão boa parte das referências espalhadas pela narrativa – muitas delas, inclusive, passam despercebidas pela Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). Coffin demonstra profundo conhecimento da história do cinema ao revisitar o faroeste, o cinema mudo, os filmes de monstros e diversas outras influências que ajudaram a construir Hollywood. É um trabalho repleto de referências de alguém que realmente entende e ama as telonas, como se fosse o livro de conjuração de um dos vilões que o grupo de pequenos segue antes da empreitada nos cinemas, que inclusive vira peça central por ser o meio de conjuração dos monstros.

Outro mérito está na coragem de finalmente permitir que os Minions caminhem com as próprias pernas. Pela primeira vez, a franquia deixa Gru completamente de lado e concede protagonismo absoluto aos personagens amarelos, sem depender da presença daquele que sempre foi o grande chamariz da série. A decisão oxigena o universo e comprova que ainda há espaço para contar boas histórias centradas apenas nos Minions.

Se a independência dos protagonistas funciona, o mesmo não pode ser dito dos antagonistas. A sinopse sugere um encontro entre Minions e monstros, mas esse conflito só ganha força perto do fim do segundo ato e surge de maneira apressada para uma trama que, até então, vinha sendo construída com eficiência. Além disso, os vilões passam longe do carisma e da imponência de inspirações evidentes como Godzilla e King Kong. É verdade que se trata de um filme infantil, mas até os antagonistas dos capítulos anteriores possuíam objetivos mais claros e uma ameaça mais convincente. Aqui, os monstros aparecem para atrapalhar mais a experiência do espectador do que os planos dos Minions.

O terceiro ato também sofre com um excesso de acontecimentos e perde parte da fluidez construída até então. A narrativa, que se destacava justamente pela simplicidade e pelo ritmo leve, acaba fragmentada em sua reta final, comprometendo o impacto da conclusão.

Ainda assim, Pierre Coffin reafirma sua condição de maior especialista no universo dos Minions. Minions & Monstros é, com folga, o melhor filme da série derivada justamente por encontrar uma identidade própria, sem depender da figura de Gru. Resta torcer para que os próximos capítulos sigam esse caminho e continuem encontrando novas formas de justificar a existência dessas aventuras. Se o livro criativo de Coffin ainda guarda feitiçoes suficientes, os Minions têm muito mais histórias que merecem ser contadas.




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