CopaMundo Titulo

Clima de Copa mobiliza estrangeiros que vivem em São Paulo: 'Não esqueço as raízes'

01/07/2026 | 10:18
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


São Paulo é um dos lugares do planeta onde se pode encontrar uma amostra do que é a diversidade do mundo, com povos de diferentes culturas ocupando suas ruas com idiomas e costumes. No meio de 12 milhões de habitantes, 385 mil deles são estrangeiros, número estimado pela Prefeitura e que representa 3% da população total. Em tempos de Copa do Mundo, o Estadão foi às ruas em busca de estrangeiros de países que estão disputando a fase de mata-mata no torneio para saber como é a relação deles com o lugar em que decidiram viver e a expectativa de suas seleções de origem.

A reportagem passou por bairros como Pinheiros, o centro expandido e o Brás, e entrevistou imigrantes que se mudaram para o Brasil para ocupar cargos importantes em empresas, assim como os que enfrentam barreiras em busca de uma vida melhor longe de sua terra natal. FUTEBOL BRASILEIRO É INFLUÊNCIA DOS GRINGOS EM SÃO PAULO Na metrópole paulistana, que está entre as dez cidades mais ricas do mundo, é possível encontrar imigrantes dos mais diferentes perfis e motivações para terem escolhido viver no Brasil.

O marroquino Bilal Boublaou, de 19 anos, conta que chegou ao país em 2018 com a família vindo da cidade de Sefrou, que fica no norte do país. "Uma parte da família da minha mãe decidiu se mudar para o Brasil em 2010 e, nas conversas que tínhamos pela internet, meus parentes falavam bem daqui e que as coisas estavam dando certo para eles. Vimos que valia a pena e decidimos tentar a vida aqui".

DGABC

Assim como muitos árabes em terras brasileiras, Boublaou trabalha com o comércio popular e vende roupas na região do Brás, Zona Leste de São Paulo. Ele, que ama futebol, diz gostar da vida na cidade e que torce pelo sucesso das seleções marroquina e brasileira nesta Copa do Mundo. "São Paulo tem uma correria própria, funciona 24 horas por dia, e me adaptei bem ao estilo de vida daqui.

O Marrocos tem melhorado bastante no futebol e como nasci lá não esqueço as raízes. Quero que o Brasil vá bem no mundial também, é o lugar que escolhi viver e curto o clima que se forma aqui na época dos jogos". O vendedor ficou acordado até tarde para acompanhar a seleção marroquina despachar os holandeses para casa, e está muito animado que o Marrocos possa fazer uma campanha histórica, assim como foi a semifinal em 2022, no Catar.

Quem também está na expectativa por uma boa apresentação da seleção nacional de seu país de nascimento é a egípcia Sylvia Boyadjan, de 57 anos e 40 deles vivendo no Brasil. A hoje consultora de vendas em uma empresa multinacional na capital paulista é nascida no Cairo, capital do Egito, e conta que decidiu vir ao Brasil em 1988 acompanhar o seu então marido na época, pois ele havia recebido uma proposta de emprego para trabalhar em uma plataforma de petróleo da Petrobrás, no Rio de Janeiro.

"Viemos inicialmente para ficar dois anos, mas fomos gostando do Brasil e decidimos ficar, tivemos uma filha aqui e iniciamos o processo de naturalização. Adoro São Paulo e o que ela oferece de oportunidades". A egípcio-brasileira ressalta que ama os dois países e torce para ambos quando o assunto é bola rolando.

"No Egito, o povo gosta muito do futebol brasileiro. Existe uma torcida grande lá para seleção brasileira. Um exemplo desse amor eu vi em 2011, durante a Primavera Árabe havia viajado para lá visitar minha família e logo tivemos eleições depois de muitos anos.

As mulheres egípcias não são obrigadas a votar, mas eu quis fazer isso pela primeira vez. Entrei na cabine, perguntei se poderia fazer um registro daquele momento e os fiscais eleitorais não permitiram. Assim que eu disse que morava no Brasil e minha ideia era mostrar a foto para o Ronaldinho Gaúcho, o policial da seção virou para mim e perguntou quantas fotos eu queria tirar".

Sobre o próximo jogo do Egito, Sylvia espera que a seleção possa vencer a Austrália e chegar às oitavas de final, algo que seria histórico. "Arrisco dizer que será 2 a 1". A torcedora também espera que Mohamed Salah, o astro do time, consiga se recuperar de lesão e esteja em campo na próxima sexta (03), em Dallas, no Texas.

MINIMUNDO PAULISTANO Em um dos corações econômicos de São Paulo, a Avenida Faria Lima, na Zona Oeste, uma escola reúne uma comunidade de professores e alunos vindos do exterior que dão uma amostra de qual diversa a maior cidade do Brasil é. Na unidade da Saint Nicholas School de Pinheiros trabalham atualmente 24 professores de14 nacionalidades diferentes, como espanhola, ganesa e argentina. Eles trabalham no ensino e preparação para universidades internacionais tanto de crianças brasileiras quanto estrangeiras, e cujos pais podem arcar mensalidades que podem chegar à casa de R$12.000.

Uma das profissionais da escola internacional é a norte-americana AI-Lien Nguyen Vasconcelos. Lien, de 38 anos, é filha de vietnamitas que se refugiaram nos EUA, país onde ela nasceu. A hoje consultora de carreiras e universidades fez um intercâmbio estudantil de um semestre em São Paulo em 2013, mesma época em que conheceu o marido.

Foi aqui que teve a primeira experiência com uma Copa do Mundo, em 2014. "Achei muito legal o espírito do torneio nas ruas, apesar de eu não ter muita identificação com o futebol. Cheguei a jogar na escola e minhas duas filhas gostam bastante, uma delas é uma jogadora habilidosa".

Apesar de não ser fanática por futebol, como o resto da família que constituiu em São Paulo, Lien acredita que o esporte pode ser uma ferramenta para o ensino e a cidadania. "Minha filha mais velha me disse, no ano passado, que queria ser um garoto porque ela ama futebol e achava que eles têm mais acesso. Disse a ela que ela pode ser o que quiser e que muitas garotas são estrelas na modalidade, basta olhar a seleção feminina dos EUA, que é um das melhores no mundo, e que só agora nós estamos vendo a seleção nacional masculina de lá tentando melhorar o jogo.

Mulheres podem jogar tão bem quanto os homens e nós estimulamos muito a igualdade de gênero aqui na escola", aponta a educadora, que diz não guardar memórias da edição da Copa de 1994, a primeira sediada em território estadunidense. Sobre o duelo contra a Bósnia, Lien se diz surpresa com a força demonstrada pelos jogadores da seleção norte americana neste mundial e espera que eles façam um bom jogo. "É notável ver o quanto eles evoluíram de performance".

O canadense Andrew Gordon Vandermeulen, de 49 anos, que é diretor pedagógico na mesma escola que AI-Lien trabalha, se diz o oposto da colega: Ama futebol, não só para assistir quanto para jogar. "É uma alegria poder viver uma Copa morando aqui e acredito que a seleção brasileira tem uma boa chance de ganhar dessa vez. O torneio também é uma oportunidade de se desenvolver a multiculturalidade e respeito entre os povos, algo que é muito importante para mim.

Aprendi até como se joga "bafo" uma tradição que não conhecia". Ele, que vive no Brasil há três anos e ainda aprende a falar português, se diz muito feliz o fato de o Canadá já estar entre as 16 melhores seleções nessa edição da Copa. Como está de férias, Andrew viajou para Montreal e celebra poder assistir com os filhos as oitavas de final contra o Marrocos junto da família.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;