Pesquisa Instituição do Grande ABC integrou expedição científica e realizou análises físico-químicas, microbiológicas e parasitológicas do rio
FOTO: Divulgação/Léo Barrilari

A USCS (Universidade Municipal de São Caetano) participou da Expedição Tietê, estudo inédito que percorreu mais de 1.100 km do Rio Tietê, da nascente, em Salesópolis, à foz, em Itapura, e concluiu que não há trecho completamente livre de contaminação.
Coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica junto a universidades e centros de pesquisa, o trabalho identificou microplásticos em 14 pontos analisados, além de 25 tipos de agrotóxicos e 16 substâncias entre fármacos e drogas ilícitas.
A contribuição da USCS foi realizada por meio do Laboratório de Análise Ambiental do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos). A equipe ficou responsável pelas análises físico-químicas, microbiológicas e parasitológicas das amostras coletadas ao longo do percurso, fornecendo informações que serviram de base para as demais frentes de estudo.
Segundo a bióloga e professora da USCS, Marta Marcondes, os dados são fundamentais para compreender o comportamento dos contaminantes encontrados no rio. “Se você encontra um agrotóxico na água, ele se comporta de forma diferente se estiver em um pH (potencial hidrogeniônico) 5 ou em um pH 8, escala numérica que mede o grau de acidez, neutralidade ou alcalinidade. Todos esses parâmetros orientam as outras pesquisas também”, afirma.
A pesquisadora explica que as análises microbiológicas e parasitológicas permitem identificar sinais da presença de esgoto doméstico sem tratamento. “Os coliformes são indicadores de contaminação de esgoto não tratado. E, quando encontramos bactérias e parasitas intestinais na água, isso significa que esse esgoto está chegando ao rio”, ressalta.
Apesar de a maior concentração de poluentes seguir sendo observada na Região Metropolitana, Marta diz que um dos aspectos mais preocupantes foi encontrar contaminantes também em trechos visualmente preservados. “O que espanta é que áreas em que o rio parece estar lindo ainda apresentam contaminação por coliformes. Isso é um alerta de que precisamos tratar o esgoto gerado pela população antes que ele chegue ao rio, porque essa água é utilizada em outras regiões para irrigação e dessedentação de animais.”
Para a professora, a recuperação do Tietê passa necessariamente pela ampliação do tratamento de esgoto nos municípios que integram a bacia hidrográfica. “Não adianta limpar a calha do rio se o esgoto continua chegando. É uma solução paliativa”, defende.
Além da USCS, outra instituição do Grande ABC participou da pesquisa. A UFABC (Universidade Federal do ABC) ficou responsável pelo estudo das concentrações de carbono orgânico, carbono inorgânico, carbono total dissolvido e nitrogênio total dissolvido ao longo do rio. Os parâmetros ajudam a compreender o funcionamento biogeoquímico do Tietê e a influência da ocupação urbana.
Para Marta, integrar um projeto desse porte é o reconhecimento da qualidade científica desenvolvida pela universidade. “Para nós, que somos uma universidade municipal, participar ao lado de outras instituições demonstra a seriedade e a consistência dos nossos dados. É motivo de orgulho e abre caminho a novos estudos produzidos em conjunto.”
A professora destaca que a participação dos estudantes de Biomedicina no laboratório fortalece a formação acadêmica, pois eles adquirem experiência prática em projetos de relevância científica, o que amplia oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
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