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Por uma Primavera para o Brasil

Percival Puccina
30/06/2026 | 09:18
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Pelas razões de sempre, é muito provável que a imensa maioria de nossos jovens nunca tenha ouvido falar na Primavera de Praga. No entanto, aquele acontecimento primaveril contra o qual o inferno comunista brutalmente arremeteu entrou para a história e para o vocabulário político. A Tchecoslováquia era um daqueles belos países invadidos por Hitler em 1939 e transformados em despojo de guerra pelo comunismo soviético em 1945. Bota azar nisso!

Já haviam transcorrido 23 anos quando, em 1968, o chefe de Estado tcheco, Alexander Dubcek, influenciado pelas ideias liberais de Ota Sik, mobilizou a população por reformas que tratou de implantar. Ao arrepio das regras impostas por Moscou às nações atrás da Cortina de Ferro, acabou com a censura, reabilitou presos do regime e promoveu liberdades políticas e econômicas.

Com grande repercussão internacional, a situação tornou-se intolerável para Leonid Breznev, líder soviético da época que mandou meio milhão de soldados e tanques russos trazer de volta ao cativeiro a desafortunada nação. A Primavera de Praga foi tão marcante que acabou dando o nome “Primavera” a eventos libertários anteriores e posteriores, como a rebelião húngara de 1956, a Primavera Árabe, iniciada em 2010, o movimento popular chinês de 1989, encerrado pelo massacre da Praça da Paz Celestial, e os protestos cubanos reprimidos em 2021.

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Faço este preâmbulo porque preciso dele para enfatizar o tema deste artigo num país onde a História é mal contada, manipulada e cheia de lacunas. Temos diante dos olhos as razões e, no calendário, o tempo para promover, em 5 de outubro, uma necessária Primavera Brasileira.

O simples fato de você, leitor, ter dúvidas sobre a possibilidade de que isso aconteça já fornece prova da necessidade de acontecer. Estão muito erradas as coisas em um País onde as pessoas perderam confiança no Estado. Um País onde, em troca, o Estado não confia nas pessoas e não esconde o desejo de limitar opiniões para manipulá-las mediante argumentos infames.

Foi nessa maré que se produziu a fragorosa derrota de uma nação pela falsa revolução dos omissos de 2022, militantes no cativeiro do sofá. Entregaram a própria casa – a Pátria herdada dos antepassados – para quem lhes é adversário em tudo que importa. Parecem feitas à medida deles as palavras de Jesus em João 10:12 sobre aqueles que fogem quando vem o lobo.

Foi assim que o Brasil se tornou, em pouco tempo, o País dos escândalos seletivos, dos guias cegos e das blindagens. Uma Nação protetora de organizações criminosas prósperas e tóxica em relação aos bens não materiais. Sai daí, cara! Quando o inverno acabar, vamos extrair desta eleição a Primavera do Brasil.

Percival Puccina é arquiteto, escritor e titular do site Liberais e Conservadores.

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