
"Ele merece uma estátua", disse Ronwen Williams, capitão da África do Sul, ao falar sobre a importância do técnico Hugo Broos, lenda do futebol belga, na campanha da classificação à segunda fase da Copa do Mundo. A declaração faz oposição às críticas de parte da imprensa e torcida sul-africanas ao treinador de 74 anos, que ajudou os Bafana Bafana a passarem da fase de grupos pela primeira vez e os faz acreditar com afinco em uma vitória sobre o Canadá, às 16 horas de domingo, no SoFi Stadium, para alcançar as oitavas.
"Ele merece o maior reconhecimento, pela confiança que demonstrou nesta equipe desde o primeiro dia. Às vezes, não acreditamos que podemos vencer jogos e conquistar coisas, e ele sempre nos diz que podemos. Todos os dias, quando estamos com as costas contra a parede, quando as pessoas nos criticam, ele está sempre lá", completou Williams.
O Broos empático e motivador descrito pelo capitão é um pouco diferente da versão mostrada nas coletivas de imprensa. Ao comentar as críticas que vinha recebendo depois de perder por 2 a 0 para o México e empatar por 1 a 1 com a República Checa, não fez questão de ser sútil. "Acho que demos uma resposta a todos os falastrões da semana passada que achavam que tínhamos que mudar e nos diziam o que tínhamos que fazer.
Eu simplesmente fiz o que queria e este é o resultado", disse depois da vitória por 1 a 0 sobre a Coreia do Sul, resultado que selou a vaga na próxima fase. A cada coletiva, o belga - ex-zagueiro e integrante da seleção quarta colocada da Copa de 1986 - dispara uma nova reclamação. Criticou a atuação do árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio no duelo com México, disse que o Mercedes-Benz Stadium não tem atmosfera apropriada para uma partida de futebol e desaprovou o estilo da República Tcheca: "Não gosta de jogar futebol", afirmou.
Nem mesmo a classificação inédita da seleção sul-africana, que disputa sua quarta Copa, fez Broos parar de se queixar. A insatisfação mais recente é relativa à logística para a disputa do jogo contra o Canadá. Ele queria viajar para Los Angeles, local do jogo, na quinta-feira, mas afirmou que "a Fifa impediu".
Por determinação da entidade máxima do futebol, a delegação teve de voltar de Atlanta, nos EUA, onde foi jogo contra os tchecos, para Pachuca, no México, base de treinamentos da África do Sul, na quinta. Por isso, a viagem para Los Angeles foi realizada apenas na sexta-feira, dois dias antes da partida. Os canadenses estão muito atentos a Broos, e não exatamente às suas palavras.
Aquilo que a África do Sul demonstrou em campo, principalmente no embate com a Coreia do Sul, impressionou o treinador Jesse Marsch. "O que vemos na África do Sul é uma equipe muito física e atlética, que joga em espaços abertos e que atualmente demonstra muita confiança em seu jogo. Fiquei impressionado com eles nesta partida.
No fim das contas, é preciso reconhecer que mereceu este resultado. Eles foram a melhor equipe e vão nos dar trabalho", comentou. Ao Canadá, apesar da classificação, ficou a frustração de perder a oportunidade de continuar jogando em casa.
Depois de jogar apenas em Vancouver e Toronto, a seleção anfitriã terminou em segundo lugar do Grupo D, com quatro pontos contra sete da líder Suíça, pela qual foi derrotada na última rodada. Se tivesse terminado como líder, continuaria jogando em seu território nacional. Marsch tenta ver o lado positivo.
"Obviamente, queríamos ficar no Canadá, jogar diante da nossa torcida e absorver toda aquela energia. Mas também é muita pressão mental para o nosso time. Com toda aquela multidão na cidade e no hotel, é um verdadeiro circo.
Nós realmente gostamos, mas acho que essa partida nos permitirá dar um passo para trás, abordar a situação com mais calma e nos concentrar totalmente no jogo", opinou. FICHA TÉCNICA ÁFRICA DO SUL X CANADÁ ÁFRICA DO SUL - Williams; Mudau, Okon, Mbokazi e Modiba; Sithole, Mbatha e Mofokeng; Makgopa, Maseko e Appollis. Técnico: Hugo Broos.
CANADÁ - Crépeau; Johnston, De Fougerolles, Cornelius e Laryea; Choinière, Saliba, Buchanan e Ahmed); Jonathan David e Larin. Técnico: Jesse Marsch. ÁRBITRO - João Pinheiro (POR). HORÁRIO - 16 horas (de Brasília). LOCAL - SoFi Stadium, em Inglewood, Los Angeles (EUA). ONDE ASSISTIR - CazéTV.
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