
Roberto Martínez, técnico de Portugal, usou boa parte de seu tempo na entrevista prévia ao duelo com a Colômbia para citar o que considera o aspecto mais importante na Copa do Mundo no momento: ter equilíbrio. O equilíbrio a que se refere o treinador espanhol de 52 anos é tático e, sobretudo, emocional. Seu pensamento é de que o jogo contra a Colômbia, neste sábado, às 20h30 (de Brasília), que vale a liderança do Grupo K do Mundial, será importante do ponto de vista psicológico.
"Precisamos controlar as emoções novamente", ele disse aos jornalistas. Primeiro porque, após a estreia ruim - empate em 1 a 1 com a RD Congo - e a goleada sobre o Uzbequistão por 5 a 0, Martínez entende que a seleção portuguesa pode consolidar sua evolução na competição. E num cenário desfavorável, considerando o apoio dos colombianos nas arquibancadas, no Hard Rock Stadium.
Será a primeira vez que vamos jogar fora de casa no Mundial. Há um número muito elevado de torcedores da Colômbia", constatou. "O foco é manter o que fizemos de bom na segunda partida e corrigir o que ainda precisamos melhorar.
Portugal tem quatro pontos e é o segundo colocado do Grupo K. A Colômbia lidera com seis pontos. Portanto, os portugueses têm de vencer para avançar na liderança da chave. A equipe está crescendo constantemente. Contra a Colômbia ter a paixão para continuar sendo Portugal num ambiente diferente dos primeiros jogos.
Não há um perigo de perder tudo de bom que fizemos anteriormente. Treinador da Bélgica que eliminou o Brasil na Copa de 2018, na Rússia, Martínez teve de responder mais uma vez sobre a tensão no vestiário de Portugal e as críticas, amenizadas depois da goleada sobre o Uzbequistão. Desta vez, falou pouco e de forma ligeira a respeito dos episódios e da postura de Cristiano Ronaldo, acusado de ser individualista.
E o tom foi muito mais leve em relação às primeiras entrevistas. Em vez de alfinetadas à imprensa, a coletiva foi marcada por um tom cordial e de descontração. Segundo o treinador, não há turbulência no vestiário nem racha com Cristiano Ronaldo.
E a pressão externa não alcança a equipe. "Tivemos tempo para falar sobre as críticas e o ambiente em torno da seleção. O mais importante é manter a concentração para atingirmos o nosso melhor nível", afirmou. "O trabalho tem sido muito consistente.
Nada afeta o vestiário, o aspecto anímico, os jogadores estão muito concentrados", continuou. A entrevista foi mais longa que o previsto porque o sistema de som da sala de coletiva do estádio em Miami atrapalhou o treinador ao interrompê-lo com "Don't Show Up", famosa música da cantora Dua Lipa, enquanto ele falava. Passaram-se quatro minutos até a música parar.
O episódio foi encarado com bom humor pelo treinador. "Só não vou cantar", ele brincou. "Dua Lipa está torcendo por Portugal".
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