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IPCA-15 mantém taxas curtas em queda, mas longas sobem com petróleo e leilão

25/06/2026 | 18:11
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os juros futuros fecharam sem direção única, com queda nos vencimentos curtos e viés de alta na ponta longa. Pela manhã, prevalecia o sinal de baixa em toda a curva, ainda amparado pela reação ao IPCA-15 de junho e pela leitura do Relatório de Política Monetária (RPM) que reforçou a expectativa de novas quedas da Selic. Mas o alívio perdeu força ao longo da tarde, refletindo a aceleração dos ganhos do petróleo e ajustes técnicos relacionados ao leilão de prefixados do Tesouro.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,128% na quarta no ajuste para 14,090%. O DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,250%, de 14,320% na quarta no ajuste. A do DI para janeiro de 2029 passou de 14,378% para 14,330% e a do DI para janeiro de 2031 subiu de 14,362% para 14,390%.

Após três sessões seguidas com taxas em baixa, o mercado ainda encontrou fôlego para seguir devolvendo prêmios pela manhã, na esteira do IPCA-15 de junho, cuja alta de 0,41% veio abaixo da mediana das estimativas (0,44%) coletadas pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Houve também bom comportamento dos preços de abertura.

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Na segunda etapa, as taxas longas zeraram a queda, na medida em que os preços do petróleo passaram a subir mais de 2%, com a tensão no Oriente Médio voltando a piorar. Segundo o The Wall Street Journal, o Irã atacou um navio de carga no Estreito de Ormuz, informação que reduziu o otimismo em relação ao cumprimento das condições do memorando de entendimento assinado na semana passada junto com os EUA que pode viabilizar o fim da guerra.

Além da questão externa, o gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos, afirma que também pesaram sobre o mercado operações relacionadas ao leilão do Tesouro. "Parece que o mercado não conseguiu absorver muito bem", disse, destacando que os volumes de prefixados voltaram aos níveis pré-guerra. "Não foram lotes tão grandes, mas maiores do que o Tesouro vinha conseguindo colocar." Foram vendidas integralmente as 19 milhões e as 4 milhões de NTN-F ofertadas.

De todo modo, o alívio do IPCA-15 somado à avaliação do RPM e às entrevistas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais, Paulo Picchetti, reforçaram as apostas de corte da Selic em agosto. Na pesquisa realizada pelo Projeções Broadcast após a divulgação do RPM, a expectativa de corte de 0,25 ponto no Copom de agosto é majoritária, apontada por 17 entre 29 casas consultadas, enquanto 12 esperam uma pausa no ciclo de calibragem.

As trajetórias de juros avaliadas pelo Copom foram tema de discussões intensas no mercado nos últimos dias. Galípolo explicou que estas levam em conta diferentes opções de pausa e retomada dos cortes - o chamado "stop-and-go", no qual uma parada não significa fim do ciclo, ratificando a leitura do mercado feita após o comunicado. "Eram cenários que simulavam alternativas de quando pausar e quando seria possível retornar esse ciclo de calibragem para produzir a convergência", disse o presidente do BC.

Na Manchester Investimentos, o especialista em renda fixa Eduardo Amorim não vê o alívio recente da curva como sintoma de uma "normalização definitiva do cenário", dada a comunicação do Copom lida como ainda falha e um cenário externo ainda pouco favorável, com destaque para o risco de persistência dos juros americanos em patamar elevado, o que mantém as taxas dos Treasuries pressionadas e limita o apetite por risco em mercados emergentes. "Esse pano de fundo tende a sustentar o dólar e reduz o espaço para fechamento mais forte dos juros no Brasil", afirma.




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