
As postagens de Juliane Massaoka sobre as complicações causadas pela injeção não autorizada de polimetilmetacrilato, conhecido como PMMA, durante uma rinoplastia em 2007, têm ganhado destaque e levantado o debate sobre o uso da substância, proibida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com pequenas exceções.
Nascida em Curitiba, no Paraná, a jornalista de 36 anos começou na Globo já há algum tempo, trabalhando nos bastidores do Mais Você antes de ganhar sua primeira oportunidade na frente das câmeras em 2020.
De ascendência japonesa do lado materno e polonesa do lado paterno, Juliane, como muitas pessoas de sua geração, cresceu com a popularização da internet, dominando a mídia e as redes sociais que começavam a surgir. Foi essa "especialidade" na linguagem digital que fez a Globo apostar na profissional no trabalho de campo com o É de Casa.
Ascensão na Globo
Além do programa que vai ao ar aos sábados, Ju conseguiu também o cargo de repórter do Encontro. Com uma linguagem que se conecta melhor ao público atual, ela rapidamente caiu nas graças do público e, do anonimato, passou a ser um dos principais rostos da programação matinal da Globo.
Essa popularidade, então, lhe rendeu um quadro no Mais Você de Ana Maria Braga. A jornalista conheceu a apresentadora em 2016, quando ainda integrava a equipe da atração, cuidando de questões operacionais e auxiliando na adaptação de roteiros. "Uma das minhas tarefas era coordenar o tempo de cada assunto, para que tudo coubesse dentro do horário previsto", contou ela ao Gshow em 2021.
A experiência a aproximou bastante de Ana Maria e da direção do Mais Você, eventualmente levando à ancoragem do Feed da Ana, quadro em que a apresentadora e a repórter conversam sobre momentos virais em destaque nas redes sociais.
Redes sociais para tratar de questões de saúde
Fora da questão profissional, as redes sociais também tiveram efeito na vida pessoal de Ju que, após receber alerta de seguidores, descobriu sofrer de lipedema, reconhecido em 2022 como doença crônica pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Em programa exibido em setembro daquele ano, Ana Maria e Ju provaram botas feitas com tecido jeans, em alta na época, e o público reparou que calçar a peça foi mais difícil para a repórter do que para a apresentadora. Logo após a exibição, fãs e médicos a aconselharam a procurar um diagnóstico.
Lipedema: entenda a doença que acomete jornalista do 'Mais Você', da TV Globo
"É uma doença de que eu nunca tinha ouvido falar antes dos comentários", contou ela em uma participação no Mais Você em 2023. Desde que recebeu o diagnóstico, Ju tem usado seus perfis em redes sociais para falar de sua vivência com a doença.
Em seu perfil no Instagram, ela tem compartilhado diversos vídeos de sua rotina de saúde, destacando os exercícios que faz para evitar as consequências do lipedema, cujo acúmulo incomum de gordura nas pernas, glúteos e quadris causa dores e varizes. A jornalista também compartilha conselhos de médicos e treinadores que tratam pacientes com a condição genética.
Injeção não-autorizada de PMMA
Em 2026, após sentir dificuldades e desconforto ao respirar, Ju procurou um otorrinolaringologista que indicou cirurgia de correção de desvio de septo e corneto nasal. Durante a operação, a equipe descobriu a presença de PMMA e foi obrigada a reconstruir o nariz da jornalista.
A aplicação aconteceu em 2007, quando, aos 17 anos, a repórter fez uma rinoplastia para fins estéticos. Segundo Ju, tanto ela quanto a mãe procuraram por bastante tempo por um profissional responsável e renomado para fazer a cirurgia em Curitiba. Apesar das boas indicações, o cirurgião usou o PMMA na então adolescente sem seu consentimento ou de sua mãe.
"Isso foi colocado sem o meu conhecimento", contou Ju, reforçando que a substância causou necrose em seu nariz. "Essa situação mexeu muito comigo. Me senti violada por ter passado por tanto risco."
Já de volta à TV, a jornalista tem feito tratamento a base de antibióticos e sessões em câmara hiperbárica, usada para auxiliar na cicatrização de feridas e no combate a infecções ao saturar o plasma sanguíneo com oxigênio.
"O PMMA deu uma deformada, né, na hora de fazer a cicatrização e tudo", explicou ela em junho. "O PMMA tira toda a circulação, dificulta processos, dificulta muita coisa. Então, acabou que a cicatrização dessa ponta ficou prejudicada. Eu achei que a gente já ia poder avançar, já ia poder fazer a segunda cirurgia, já, resolver. E a descoberta de que a infecção continua dá todo um passo para trás."
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