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Serviço Social, as ruas e a dignidade

Andrea Braga
25/06/2026 | 09:14
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O crescimento da população em situação de rua no Brasil expressa a realidade social das cidades contemporâneas. Levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais indica que o País ultrapassou 365 mil pessoas nessa condição entre o final de 2025 e o início de 2026.

Mais do que números, estamos diante de vidas. E a forma como a sociedade olha para essas vidas diz muito sobre o projeto de cidade que estamos construindo. Ainda persistem estigmas e preconceitos em relação à população em situação de rua, frequentemente tratada de forma reducionista, em vez do reconhecimento deste grupo como sujeitos de direitos. Essa ótica acaba influenciando práticas institucionais e respostas públicas que priorizam o afastamento, o controle ou a invisibilização, em detrimento da construção de alternativas efetivas.

Longe de ser resultado de escolhas individuais, a vida nas ruas expressa uma profunda violação de direitos, vinculada à desigualdade estrutural e à precarização das condições de vida. E enfrentar essa realidade exige compromisso ético com a dignidade humana.

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É nesse cenário que a atuação de assistentes sociais se torna fundamental, não só na garantia de acesso a direitos, mas também na construção de leituras críticas da realidade e de respostas comprometidas com a vida das pessoas. Orientado pela Política Nacional para a População em Situação de Rua, o profissional parte do reconhecimento desse grupo social como sujeito de direitos, com histórias, demandas e potencialidades que precisam ser compreendidas em sua complexidade.

Na prática, assistentes sociais atuam diretamente nos territórios, em serviços como Centros Pop, Creas e Consultório na Rua. Mais do que encaminhamentos pontuais, sua atuação deve se fundamentar na escuta qualificada, construção de vínculos e acompanhamento continuado. O diálogo é elemento central desse trabalho: é por meio dele que emergem demandas reais (muitas vezes invisibilizadas) relacionadas à documentação, à saúde, à renda, à moradia e à reconstrução de relações familiares e comunitárias.

Diante de práticas higienistas, remoções forçadas e da criminalização da pobreza, o Serviço Social se posiciona de forma firme na defesa da dignidade de toda a população. Enfrentar a realidade das ruas exige mais do que respostas rápidas: requer compromisso com a vida e transformações concretas. O Serviço Social trilha esse caminho todos os dias, por meio de trabalho técnico e qualificado, da atuação crítica e da construção de alternativas.

Fica o convite à sociedade: romper com respostas simplificadas e excludentes e assumir um compromisso real com as vidas e a justiça social.

Andrea Braga é doutora em Políticas Públicas e professora do curso de Serviço Social da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).




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