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Sem populismo

25/06/2026 | 09:13
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Antes de celebrar a ampliação de cotas para importação de veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados, o governo federal deveria considerar com maior atenção os efeitos dessa decisão sobre a cadeia produtiva instalada no Brasil. A justificativa de que a medida reduzirá preços ao consumidor e estimulará futuros investimentos merece análise mais ampla, sobretudo em um setor que responde por milhares de postos de trabalho e sustenta municípios inteiros – como os do Grande ABC. Quando a concorrência ocorre em condições desiguais, fabricantes que produzem localmente enfrentam obstáculos adicionais para manter produção, empregos e encomendas destinadas ao segmento de autopeças.

A experiência demonstra que promessas de instalação de fábricas e expansão de operações não são garantia da efetivação de negócios. Permitir a entrada subsidiada de veículos, ainda que por prazo determinado, é vantagem comercial para empresas que ainda não consolidaram presença em território nacional. Daí o alerta da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) não poder ser tratado como defesa corporativa. Trata-se, na verdade, de manifestação legítima de setor que é impactado pela escolha da política industrial. O incentivo à eletrificação é necessário, porém não pode resultar em tratamento desigual entre quem já produz e quem apenas inicia atividades.

Para regiões cuja trajetória de desenvolvimento está ligada à indústria automotiva, como o Grande ABC, o debate exige responsabilidade e menos populismo. A busca por medidas que produzem votos não pode prevalecer sobre estratégias voltadas à preservação da capacidade produtiva brasileira. O País precisa ampliar competitividade, atrair investimentos e incorporar novas tecnologias, mas sem enfraquecer estruturas que levaram décadas para serem construídas. O papel do governo consiste em assegurar regras equilibradas a todos os participantes do mercado – o que parece não estar acontecendo. Só assim será possível conciliar inovação, geração de renda e fortalecimento da produção nacional.

DGABC



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