
Na madrugada de 20 de junho, Miguel Almirón, do Paraguai, foi o primeiro jogador da Copa do Mundo de 2026 a ser punido com a 'lei Vini Jr.', que prevê a expulsão de um atleta que confrontar outro tapando a boca com a mão. Jude Bellingham teve atitude parecida no duelo entre Inglaterra e Gana da última terça-feira, 23, mas não recebeu o vermelho. O que explica essa diferença é o contexto de cada situação?
Antes do começar o torneio, a Fifa foi clara quanto os cenários nos quais os árbitros deveriam ficar atendo para expulsar ou não um integrante de uma das seleções em campo. O objetivo é evitar xingamentos que possam configurar crimes. O que motivou isso foi quando o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, proferiu ofensas racistas a Vinícius Júnior em um jogo da Champions League de fevereiro.
Em Turquia x Paraguai, Almirón discutiu com Mert Müldür após uma dividida entre Isidro Pitta e Abdülkerim Bardakçi que culminou em uma pequena confusão em campo. O árbitro Ivan Cisneros foi chamado ao VAR, constatou que o atacante do Atlanta United cobriu a boca em contexto confrontacional e o expulsou. Não foi a mesma coisa na partida entre Inglaterra e Gana.
Bellingham até tampou os lábios, mas durante uma conversa amistosa com Jordan Ayew. Desse modo, o árbitro de vídeo não precisou chamar Saíd Martínez para revisar o momento e analisar se valia a penalidade. O chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, tratou de não deixar dúvidas sobre a regra antes mesmo do início da Copa de 2026.
"Os jogadores podem cobrir a boca com o braço e a camisa, se conversando como amigos", disse ele, à época, ressaltando em seguida qual contexto valeria para expulsão. "Quando a conversa é de teor conflituoso, cobrir a boca indica que se está fazendo algo potencialmente muito errado, e a punição é o vermelho".
Já Gianni Infantino, presidente da entidade, reforçou a premissa de que os atletas que tapam a boca em um conflito teriam "algo a esconder". "É uma regra muito importante para nós, comentou ele ao veículo britânico Sports News Television. "Trata-se de respeito e do exemplo que devemos dar.
Se você não tem nada a esconder, não cubra a boca". O jogo entre Inglaterra e Gana terminou empatado em 0 a 0, e apesar da não expulsão de Bellingham, a arbitragem não saiu ilesa. O técnico da equipe africana, Carlos Queiroz, reclamou de um suposto pênalti de Ezri Konsa em Prince Adu nos momentos finais e queria o vermelho para o goleiro Jordan Pickford em dividida com o mesmo jogador.
As duas seleções, que ocupam as duas primeiras colocações de sua chave, voltam a campo no próximo sábado, 27, para a última e decisiva rodada do Grupo L da Copa do Mundo de 2026.
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