Planejamento Sugestão foi apresentada pela Fundação Santo André durante reunião com Agência de Desenvolvimento Econômico
André Henriques/DGABC

A Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC realizou, nesta quarta-feira (24), encontro com representantes de universidades da região para debater como impulsionar a competitividade industrial nos próximos anos. Entre as propostas, o pró-reitor de pós-graduação, pesquisa e extensão da Fundação Santo André, Roberto Carlos Sallai, sugeriu a criação do Desafio Regional de Inovação. Segundo ele, o modelo, inspirado no Desafio de Redação do Diário, servirá para estreitar laços e solucionar problemas das empresas locais.
“A partir da iniciativa já conhecida, feita pelo Diário e denominada Desafio de Redação, eu sugeri para os colegas de criarmos também o Desafio Regional de Inovação do Grande ABC, no qual nós, juntamente com a Agência de Desenvolvimento Econômico, vamos colaborar para resolver impasses que as companhias enfrentam”, detalha.
A ideia é criar um edital ou regulamento para que alunos apresentem recursos que podem ser usados a curto, médio e longo prazos pelos empresários participantes. "Vamos mapear a vocação das universidades. Nossos estudantes serão os líderes do futuro. Ainda não formalizamos, mas a expectativa é manter as tratativas no segundo semestre para que seja lançado no início de 2027.”
Para ele, as faculdades precisam ser vistas como agentes de desenvolvimento regional, não apenas formadoras de mão de obra. A Agência também mantém no radar a formalização de um acordo de cooperação entre os centros de educação locais e o início de projetos de extensão focados na indústria do Grande ABC. “Por mais que já existam políticas públicas, os educadores são o pilar para discutirmos avanços. Devemos cadenciar todas os debates para caminharmos em prol da colaboração com hubs e setores produtivos”, diz o presidente da Agência, Aroaldo Silva.
Durante o evento, o coordenador da subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luís Paulo Bresciani, fez um panorama sobre as mudanças no perfil econômico-industrial das sete cidades, ao citar a fragilização e desnacionalização de cadeias produtivas. “Lidamos com a falta de investimento expressivo em inovação e o fato de termos uma produção voltada a segmentos com menor dinamismo tecnológico e valor agregado, além da alta dependência de importações de bens materiais de alta tecnologia.”
De acordo com ele, recursos federais, como a Nova Indústria Brasil, o Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Plano de Transição Ecológica, são peças-chave para o avanço. “Possuímos mais de 7.000 fábricas espalhadas pelas sete cidades e ficamos com R$ 1,75 a cada R$ 100 gastos no Brasil. Somos capazes de modernizar e reforçar o ecossistema industrial com essa pujança financeira.”
O reitor da FEI, Vagner Bernal Barbeta, comenta que a indústria de forma isolada tem relevância, mas com outros agentes é capaz de gerar mudanças mais estruturadas. “Temos tudo pronto para nos unirmos, mas devemos pensar quais são as grandes missões que a região está se propondo a trabalhar. Assim, conseguimos buscar fomentos de forma conjunta. Se estabelecermos 10 prioridades, não teremos nenhuma. Devemos ter duas ou três para atuar de maneira mais efetiva.”
Em paralelo às reuniões da Agência, o Diário também promove o Fórum Permanente de Reitores do Grande ABC para impulsionar o intercâmbio de conhecimento e projetos de cooperação. A próxima edição ocorre em 5 de agosto, no campus da FEI em São Bernardo. LEIA MAIS: LDOs de seis cidades projetam R$ 19 bilhões em receitas para 2027
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