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Hospitalizações por alergia aumentam 47% no Grande ABC

Primeiro quadrimestre deste ano registrou 273 casos contra 186 em igual período de 2025; campanha mundial alerta para a doença nesta semana

23/06/2026 | 08:52
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FOTO: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O número de internações por alergia cresceu 47% no Grande ABC. No primeiro quadrimestre deste ano foram 273 casos ante 186 no mesmo período de 2025. De 21 a 27 de junho foi instituída a Semana Mundial da Alergia para alertar sobre as doenças alérgicas, que afetam 30% da população mundial de acordo com dados da Organização Mundial de Alergia (WAO, na sigla em inglês).

Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), a porcentagem deve chegar a 50% até 2050 devido às mudanças climáticas, que permitem maior penetração de alérgenos (agente causador) no organismo das pessoas.

A alergista e imunologista Roberta Fachini Jardim Criado, docente da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), explica que as mudanças climáticas são responsáveis pelo crescimento de todas as doenças alérgicas, não somente as respiratórias. “Com menos árvores e mais asfalto, o clima fica seco, pois a terra absorve a água e o cimento não. Dessa forma, o material particulado permanece nas superfícies e suspenso no ar. A maior convivência com essa poluição altera a resposta alérgica”, explica.

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A alergia é uma reação exagerada do sistema imunológico a substâncias como poeira, mofo, pelo de animais, medicamentos e alimentos, considerando essas substâncias uma ameaça grave ao organismo. A maior parte (91%) das internações de 2026 na região foi motivada pela asma alérgica. Para a médica, não se trata apenas de uma maior predominância da doença, mas também do reconhecimento da gravidade do quadro. 

“Tem casos de urticária tão graves que necessitam de internação, mas as alergias respiratórias acabam sendo mais reconhecidas”, destaca a médica.

De acordo com dados do Issac (Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância), a asma alérgica atinge cerca de 20% da população brasileira. No mundo, afeta cerca de 260 milhões de indivíduos e responde por mais de 450 mil mortes a cada ano. Entre os principais sintomas estão a falta de ar, chiado no peito, tosse seca principalmente à noite, sensação de cansaço e de aperto na região peitoral. 

Outros tipos de alergia são as oculares (como conjuntivite alérgica), as de pele (como dermatite de contato e urticária) e as alimentares, que provocam reações gastrointestinais. “Há muitos fatores comportamentais. Uma menina de 11 anos, por exemplo, hoje usa o mesmo número de produtos de skincare de uma mulher. Os alimentos ultraprocessados, além de causar mais câncer e outras doenças, têm mais alérgenos na composição”, diz Roberta. 

PREVENÇÃO

A Semana Mundial da Alergia, organizada no Brasil pela Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), este ano traz o tema “Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial”. O objetivo é prevenir, diagnosticar e tratar as alergias. 

Apesar de terem grande influência da predisposição genética, as doenças alérgicas podem ser prevenidas a partir de alguns cuidados. “Controlar a higiene do ambiente residencial é uma das principais profilaxias. Manter a casa e as roupas de cama limpas, evitar cortinas e almofadas, além de animais de estimação, pois podem atuar como fonte de alérgenos, são medidas que previnem o desenvolvimento de alergias e crises de asma alérgica”, destaca. 

A médica ressalta, porém, que depois que a doença está instalada, é necessário fazer o tratamento contínuo e medicamentoso. 

“Muitos pacientes não fazem o acompanhamento e as crises acabam sendo recorrentes. A asma é ignorada porque, muitas vezes, ao sentir dificuldade para subir escada, o portador opta pelo elevador e não dá atenção ao sintoma. Ele se acostuma a respirar mal e acha que isso é normal”, avalia.

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