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Manchas e descamações na pele: quando procurar ajuda?

Especialista alerta que sinais persistentes, lesões que sangram e feridas que não cicatrizam não devem ser atribuídas apenas ao frio

22/06/2026 | 14:18
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FOTO: Pexels Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com a queda das temperaturas, aumentam as queixas de pele ressecada, áreas descamativas visíveis e manchas que parecem fazer parte da rotina do inverno. O problema é que, em meio às alterações comuns da estação, alguns sinais podem ser confundidos com o simples efeito do frio quando, na verdade, demandam a avaliação médica para poderem ser relacionados ou descartados como possíveis casos de câncer de pele.

O Instituto Nacional de Câncer estima cerca de 220 mil novos casos de câncer de pele por ano no Brasil, e o tipo não melanoma aparece como o tumor maligno mais incidente no país, respondendo por 31,3% do total de casos estimados.

De acordo com o dermatologista, Dr. Matheus Rocha, alguns sinais devem acender o alerta: manchas que coçam, ardem, descamam ou sangram; pintas que mudam de tamanho, forma ou cor; feridas que não cicatrizam em quatro semanas; e alterações na textura da pele acompanhada ou não de dor. 

Para o Dr. Matheus, o inverno favorece um erro frequente: atribuir toda descamação ou mancha ao ressecamento típico da estação. "É verdade que o frio, os banhos mais quentes e a queda da hidratação natural da pele deixam manchas irritadas e áreas descamativas mais comuns. Mas isso não significa que tudo seja benigno. Quando há persistência, sangramento, crescimento ou mudança de aspecto, é preciso investigar", afirma.

Segundo o especialista, o problema é que a aparência inicial de algumas lesões pode ser enganosa. "Alguns tipos de câncer de pele podem começar como uma área áspera, uma crosta que volta, uma lesão avermelhada ou uma mancha que descama e não melhorada. Como isso pode lembrar assadura, alergia ou pele ressecada, muita gente posterga a avaliação", diz.

Rocha explica que a principal diferença é o comportamento da irritação ao longo do tempo. "Uma pele ressecada por conta do inverno tende a melhorar com hidratação, redução de agressões e cuidados básicos. Já uma lesão suspeita costuma persistir, evoluir ou reaparecer sempre no mesmo ponto. Esse padrão merece atenção", afirma.

Outro fator que contribui para o atraso no diagnóstico é a falsa sensação de segurança em relação ao sol nos meses frios. Especialistas e entidades de referência alertam que a radiação ultravioleta continua presente no inverno, inclusive em dias nublados, e segue associada ao risco de câncer de pele. A Skin Cancer Foundation informa que a maior parte dos raios ultravioleta pode atravessar nuvens e nuvens, e que a exposição sem proteção permanece relevante mesmo no frio.

Para o Dr. Matheus Rocha, esse detalhe muda a lógica da prevenção. "No inverno, as pessoas sentem menos calor e, por isso, relaxam no protetor solar e observam menos a pele. Só que a radiação continua ocorrendo, o dano é cumulativo e o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais fatores para um tratamento mais simples e com melhores resultados", afirma.

A orientação, segundo ele, é observar especialmente lesões que não melhoram com o passar das semanas. "Se existe uma mancha que descama sempre, uma área que coça e sangra, uma ferida que não cicatriza ou uma pinta que está mudando, o melhor caminho é buscar avaliação com dermatologista. O inverno não deve ser usado como justificativa para esperar indefinidamente", diz.

Além do acompanhamento médico, o cuidado preventivo necessário segue durante toda a estação. A recomendação de especialistas é manter o uso de protetor solar mesmo nos dias frios, além de proteção física com roupas, chapéus e óculos escuros quando houver exposição ao ar livre.

Para Rocha, a vantagem desse olhar mais atento no inverno é justamente evitar que sinais persistentes sejam naturalizados. "Nem toda mancha e nem toda descamação significam câncer de pele. Mas algumas lesões malignas podem parecer, no começo, com alterações comuns da estação. O ponto central é não ignorar o que persiste, muda ou sangra", conclui.

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