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Um documentário e dois álbuns musicais resgatam a história e o talento de dois gigantes da MPB sempre reverenciados no exterior, mas muitas vezes não tão aclamados dentro de seu próprio País: Airto Moreira e Flora Purim.

O filme Flora & Airto: O Som Revolucionário, que será lançado no segundo semestre e terá duas exibições no In-Edit 2026: Festival Internacional de Documentários Musicais, que ocorre até o dia 28, em São Paulo, é de autoria de Jom Tob Azulay, diretor de Os Doces Bárbaros e Elis & Tom, entre outros.

O documentário é um registro da gravação de um álbum ainda inédito que leva o mesmo nome e será lançado simultaneamente com o filme. Antes disso, no entanto, foi lançado Maracanós, um álbum de inéditas assinado por Airto e pelo multi-instrumentista Ricardo Bacelar, com participação de Flora.

DGABC

Airto Moreira, de 84 anos, é considerado um dos maiores percussionistas de todos os tempos. Ao longo de décadas, ele tocou com grandes nomes do jazz, como Miles Davis, Wayne Shorter, Dave Holland, Chick Corea, Keith Jarrett, Jack DeJOhnette, Joe Zawinul, Jaco Pastorius e Stan Getz.

Flora, de 84 anos, também se apresentou com Stan Getz e Chick Corea, além de Carlos Santana e tantos outros. Durante quatro anos seguidos (1974 a 1977), ela foi eleita pelos críticos a melhor cantora de jazz dos Estados Unidos.

Foi Jom Tob Azulay quem convidou Ricardo Bacelar (ex-integrante do grupo de pop rock Hanói Hanói) para produzir o documentário, apresentando-o ao casal Flora e Airto.

Bacelar então convidou o casal (que vive desde 2023 no Retiro dos Artistas, no Rio) para passar uma temporada em Fortaleza, em seu estúdio de gravação, o Jasmim, uma referência na América Latina.

Single

A primeira música que os três gravaram juntos foi Aqui, Ó, de autoria do trio, lançada como single em agosto do ano passado. Em seguida, eles gravaram um álbum ainda inédito que reúne músicas emblemáticas da carreira do percussionista Airto e da intérprete Flora.

"A Flora não canta, ela interpreta", resume Airto sobre a companheira de toda a vida. "A nossa música é como o nosso amor, não existe o tempo todo, só quando existe."

Para o documentário, Jom Tob Azulay registrou todo o processo de gravação e a convivência dos três durante o tempo de imersão musical. "Em determinado momento, abrimos uma caixa com os mais incríveis objetos de percussão já criados por Airto", conta Azulay. "E ele tocou como ninguém."

O cineasta conta que, originalmente, pensou em usar material de arquivo no documentário, intercalado com as imagens da gravação do novo álbum. "Mas o processo de gravação foi tão intenso, as músicas tão atuais, sem nostalgia nenhuma, que quando juntei imagens de arquivo simplesmente não tinha nada a ver."

'Maracanós'

O entrosamento musical e pessoal foi tão profundo que Bacelar convidou Airto para um terceiro projeto, que resultou no álbum Maracanós, lançado no fim de abril nas plataformas de streaming. Os dois compuseram e gravaram temas inéditos para o álbum.

"O Airto adorou a ideia, entramos no estúdio e desenvolvemos esse trabalho de uma forma muito espontânea. A gente foi sentando, foi tocando e eu prestigiei muito a característica da música do Airto, que tem muita liberdade, muita criatividade, e que é uma linguagem maravilhosa. E a capacidade de escuta dele é algo impressionante; ele está sempre conosco."

Com oito faixas, Maracanós é um álbum essencialmente instrumental, com vocalizes em algumas faixas, quer de Airto e Bacelar (em faixas como 3 Minutos de Paz ou Pau Rolou) quer de Flora Purim (em Voo da Tarde), e letra apenas em uma (Mestre Novo da Guiné, cantada por Ricardo Bacelar).

Maracanós, o título, é uma adaptação da palavra maracatu, nome de uma dança e gênero musical afro-brasileiro nascido em Pernambuco, substituindo-se o "tu" final por "nós", o singular pelo plural. "Joga com maracatu, maraca e maracanã", observa Bacelar.

Acaba por ser um jogo onomatopaico que expressa não só o papel do ritmo como do trabalho coletivo. "São músicas propositivas, muito imagéticas, com um caráter imersivo", diz Bacelar.

'Flora & Airto: O Som Revolucionário'

CineSesc. Sessão hoje, 22, 20h30, com a presença do diretor, de Airto Moreira e de Flora Purim

Cinemateca Brasileira. 26/6, 17h30, com a presença do diretor

Informações em br.in-edit.org

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




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