Rigor A investigação também avalia se Jaques Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso
FOTO: Divulgação/Câmara dos Deputados

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor de um dos requerimentos que pedem a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar os escândalos bilionários do Banco Master, defendeu que o colegiado funcione no Congresso após a operação de busca e apreensão contra o líder do governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
"Nós estamos insistindo na instalação da CPI do Banco Master. Fomos os primeiros a apresentar um requerimento. Nós entendemos que essa investigação tem que ser feita, doa a quem doer, porque nós não podemos mais conviver com a corrupção. Infelizmente, o que a gente percebe é que muitos parlamentares não querem a CPI, a gente entende que muitos parlamentares têm o rabo preso", declarou Rollemberg no sábado (20), durante o evento do lançamento da candidatura do ex-presidente da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) Ricardo Cappelli ao GDF (Governo do Distrito Federal).
O pedido da CPI do Master foi protocolado por Rollemberg, que integra a base do governo Lula, no início de fevereiro, após obter mais de 200 assinaturas entre os deputados federais.
Um dia depois, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), da oposição, protocolou um requerimento de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que possibilita a participação dos parlamentares das duas Casas.
As comissões, porém, não foram abertas pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Isso ocorre pelo desinteresse dos deputados em abrir uma investigação sobre o tema, que atinge o Centrão, a direita e também a base governista, nas vésperas das eleições.
Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na manhã da quinta-feira (18). A PF suspeita de que ele recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.
A investigação também avalia se Jaques Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. Segundo os investigadores, o senador teria tratado diretamente com o ex-sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima, de propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.
Os policiais apreenderam US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços de Wagner. Somados e convertidos, os valores chegam a R$ 485 mil.
Como mostrou o Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), uma ala do governo defende que Wagner deixe a liderança do governo no Senado para conter eventuais desgastes ao governo no ano eleitoral.
Essa ala, que acumula desgastes com o senador baiano desde a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal), possui até um substituto ao posto: o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE).
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