Mais gestão, menos polarização O escândalo envolvendo o Banco Master tem uma característica que deveria servir de alerta para todos aqueles que insistem em enxergar a política apenas pela lente da polarização: ele atinge os dois lados do espectro político. E justamente por isso expõe uma verdade incômoda que muitas vezes é ignorada no debate público brasileiro: corrupção, conflitos de interesse e relações pouco transparentes não são monopólio de uma ideologia ou de um partido. São problemas estruturais que precisam ser enfrentados por quem realmente deseja construir um País melhor.
Nos últimos anos, o Brasil mergulhou em uma dinâmica em que praticamente tudo é interpretado como uma disputa entre dois campos políticos. A consequência disso é que muitos brasileiros passaram a tratar escândalos de acordo com a conveniência ideológica. Quando o problema atinge o adversário, exigem-se rigor, investigação e punição. Quando alcança aliados, surgem as relativizações, os silêncios e as tentativas de mudar de assunto.
O caso do Banco Master revela justamente o quanto essa postura é prejudicial para o País. Mais importante do que identificar quem ganha ou quem perde politicamente é compreender que a sociedade perde quando instituições financeiras, agentes públicos e setores do sistema político convivem em ambientes onde faltam regras claras, transparência e mecanismos capazes de evitar conflitos de interesse.
A primeira lição que o episódio deixa é a necessidade de fortalecer as instituições de controle e governança. O Brasil precisa avançar em códigos de conduta mais rígidos, ampliar os mecanismos de transparência e estabelecer regras objetivas para evitar situações que coloquem em dúvida a imparcialidade das decisões que impactam a economia e a vida dos brasileiros.
Da mesma forma, é necessário aperfeiçoar os instrumentos de fiscalização. O sistema financeiro é um dos pilares da estabilidade econômica e exige credibilidade. Não basta que as decisões sejam legais; elas precisam ser também éticas e compatíveis com aquilo que a sociedade espera das instituições. A legalidade, sozinha, nem sempre é suficiente para preservar a confiança pública.
Outro ponto importante é a necessidade de uma discussão séria sobre a relação entre poder político, interesses econômicos e agentes públicos. Democracias maduras possuem mecanismos capazes de reduzir essas zonas cinzentas, estabelecendo limites claros e fortalecendo a prestação de contas. O Brasil ainda precisa avançar muito nesse aspecto.
Mas talvez a principal reflexão seja outra. Enquanto a população enfrenta problemas concretos como inflação, juros elevados, dificuldades na saúde, insegurança, baixo crescimento econômico e perda de competitividade, grande parte do debate público continua aprisionada na lógica da guerra permanente entre grupos políticos. E, nesse ambiente de torcidas organizadas, os problemas reais acabam ficando em segundo plano.
O Brasil precisa voltar a discutir projetos de País. Precisamos falar de educação, produtividade, inovação, sustentabilidade fiscal, segurança pública, reforma administrativa, combate às desigualdades e preparação das cidades para os desafios climáticos. Precisamos discutir como gerar empregos de qualidade, aumentar a renda das famílias e devolver esperança às novas gerações.
Nenhum desses desafios será enfrentado através de memes, cancelamentos ou narrativas construídas para alimentar a polarização. O desenvolvimento exige diálogo, responsabilidade e capacidade de construir consensos mínimos em torno de objetivos comuns.
O escândalo do Banco Master talvez tenha um aspecto positivo: mostrar que os problemas do Brasil não possuem lado ideológico. Eles exigem instituições fortes, regras claras e maturidade democrática. E, principalmente, exigem que deixemos de lado a lógica do “nós contra eles” para abraçarmos uma agenda mais importante: a do “Brasil a favor dos brasileiros”.
Porque, no fim das contas, enquanto a polarização divide, os problemas reais continuam esperando por soluções. E o país que queremos construir depende menos de torcidas e mais de projetos, menos de paixões ideológicas e mais de boa política, boa gestão e compromisso com o interesse público.
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