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Cesta de produtos para a Copa tem alta de 32,5% desde 2022

Produtos tradicionais das confraternizações estão mais caros do que a inflação e consumidores precisam adaptar churrascos e dividir despesas

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
19/06/2026 | 09:31
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Quem decidiu assistir ao jogo Brasil x Haiti ao lado de amigos e fazer um churrasco na noite desta sexta-feira (19), precisará ficar de olho também nas despesas. O custo para confraternizar em casa aumentou significativamente na comparação com a Copa do Mundo anterior. Levantamento da Rico aponta que a chamada ‘Cesta da Copa’, com produtos que costumam ser usados nas confraternizações, acumulou alta de 32,5% entre 2022 e 2025. O percentual é superior ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) geral do período, que foi de 21%.

O balanço considera itens comumente consumidos em celebrações em jogos da Seleção Brasileira. Entre os produtos mais afetados estão chocolate (66,6%), sorvete (44,9%), bebidas alcoólicas (36,1%), refrigerantes (35,5%). Embora as carnes tenham registrado uma alta mais moderada, de 12,9%, outros itens comuns das reuniões para acompanhar os jogos pressionam o orçamento dos torcedores.

Morador do bairro Santa Paula, em São Caetano, o analista de sistemas Julio Pereira, 45 anos, mantém uma tradição que atravessa gerações. Desde criança, acompanha os jogos da Copa em reuniões promovidas pelos irmãos mais velhos na casa da mãe. Hoje, é ele quem recebe amigos para assistir às partidas. “Temos um grupo de seis casais que normalmente se reúne. Com os filhos, chegamos a ter entre 20 e 25 pessoas que acompanham as partidas”, afirma.

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Para a confraternização realizada na estreia da Seleção Brasileira, foram 12 casais e cada par desembolsou cerca de R$ 150. Já para um churrasco que pretende organizar para aproximadamente 15 pessoas hoje, a estimativa é gastar em torno de R$ 500. “O que não pode faltar é uma carne de boa qualidade, uma linguiça, uma farofa e muita amizade. Independentemente do resultado, o mais importante é aproveitar esses momentos perto de quem a gente gosta”, diz Pereira.

Segundo ele, a diferença de preços em relação às copas anteriores é perceptível. “Lembro que um quilo de carne custava entre R$ 30 e R$ 35. Hoje, você encontra por R$ 60 ou R$ 70. Em quatro anos, praticamente dobrou de preço.”

Economista e professora da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Paula Sauer destaca que os produtos consumidos em momentos de lazer costumam manter a demanda mesmo quando ficam mais caros. “Existe um componente emocional. Muitas pessoas justificam o gasto porque é a Copa do Mundo. Mesmo com preços mais altos, elas compram para preservar a experiência de assistir aos jogos com amigos e familiares.”

Esse comportamento ajuda a explicar o motivo pelo qual as festas continuam, ainda que em formatos diferentes. Segundo Paula, o consumidor tem optado por reduzir quantidades, trocar marcas, antecipar compras e dividir despesas. “O modelo tradicional em que o anfitrião arca sozinho com todos os custos vem sendo substituído por formatos mais colaborativos. É cada vez mais comum que cada convidado leve uma bebida, um prato ou contribua financeiramente para o evento.”

A economista destaca que compartilhar os gastos deixou de ser visto como falta de hospitalidade e passou a representar uma forma inteligente de manter os encontros sem comprometer o orçamento.

A tradição também mobilizou a estudante de jornalismo Rebeca Fernandes, 23, moradora do Baeta Neves, em São Bernardo. No último jogo da Seleção, ela recebeu 12 amigos em casa para acompanhar a partida com um churrasco. A reunião custou R$ 400 e exigiu estratégia adotada pelo grupo há alguns anos: cada convidado levou a própria bebida e a carne que consumiria. “Sempre fazemos assim. Existe o anfitrião, mas cada um contribui com alguma parte. É uma forma de não deixar todo o custo para quem recebe.”

Além dos gastos com alimentação, Rebeca investiu na decoração da casa para entrar no clima da competição. “Dessa vez eu tive que me preocupar em decorar a casa, comprar balões e outros enfeites. Não foi muito elaborado, mas foi um gasto que eu não tinha tido na Copa passada”, conta a estudante.

Mais do que o futebol, ela vê o torneio como uma oportunidade de reunir amigos e familiares. “Eu tenho essa memória afetiva desde criança. Sempre que tinha jogo da Copa, tinha churrasco e a casa cheia. É um momento de encontrar as pessoas que gosto e comemorar juntos.”

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