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Haitianos da região vivem expectativa por confronto com Brasil

Participação da seleção caribenha na Copa do Mundo após hiato de 52 anos deixa comunidade em Sto.André eufórica para jogo das 21h30

Fábio Júnior
Especial para o Diário
19/06/2026 | 08:15
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FOTO: Denis Maciel/DGABC
FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A classificação do Haiti para a Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, provocou uma onda de entusiasmo entre os haitianos residentes no Grande ABC. É no CAM (Centro de Apoio ao Migrante), localizado no bairro Utinga, em Santo André, que as expectativas crescem para acompanhar a campanha do pequeno país no principal torneio do futebol internacional, no qual terá pela frente justamente a Seleção Brasileira, nesta sexta-feira (19), às 21h30, após revés (1 a 0) na estreia para a Escócia no último sábado (13). 

Presidente da associação, Chanel Derosier, 47 anos, classificou a vaga ao Mundial como um momento simbólico para o país. “Depois de 50 anos, o Haiti conseguiu chegar em uma Copa do Mundo. Agora o nosso povo está muito feliz”, disse. 

De acordo com o dirigente, o retorno à competição é mais do que uma conquista esportiva. “Para os haitianos, é uma segunda independência”, destacou ele, utilizando como exemplo a famosa Revolução Haitiana (1791-1804), um processo revolucionário anticolonial que derrotou o exército francês e libertou os escravos. 

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Ainda segundo Derosier, a participação do Haiti no Mundial tem mobilizado a comunidade instalada na região. “Os haitianos já estão se preparando para o confronto. Vai ser histórico” falou. Mesmo morando no Brasil há quase uma década, Yvena Lagrandeur, 36, garante que segue acompanhando a Copa de perto. Questionada sobre o resultado, respondeu aos risos. “Vamos ganhar”, apostando em um triunfo haitiano. 

A expectativa também toma conta de Marie Mirandela, 58. Apesar de revelar que torcerá pelo Brasil durante o andamento do confronto, ela comemora a presença do Haiti no torneio. “Essa sensação é muito boa. Eu espero um bom jogo e acredito que dê para surpreender”, comentou. 

Além da paixão por um dos esportes mais populares do planeta, os três destacam que a participação na Copa do Mundo também é uma oportunidade para apresentar ao mundo um pouco da cultura e da história do Haiti.

Enquanto aguardam o tão sonhado confronto diante da Seleção Brasileira, os haitianos residentes em várias partes do Grande ABC se preparam para viver um momento que muitos consideram um sonho realizado: ver seu país novamente entre as maiores seleções do mundo. 

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Apesar da derrota na estreia, Haiti joga para surpreender

Apesar da derrota por 1 a 0 para Escócia na estreia, a seleção do Haiti mantém a motivação e o planejamento de fazer história ao surpreender os pentacampeões mundiais. Considerada uma das zebras da Copa do Mundo, a seleção caribenha voltou ao torneio após 52 anos. Na edição de 1974, na Alemanha, a última em que esteve presente, o país caiu precocemente na fase de grupos. Perdeu para Itália (3 a 1), Polônia (7 a 0) e Argentina (4 a 1), resultados que a deixaram em décimo quinto lugar. 

Apesar de ter um nível técnico distante ao das seleções favoritas ao título, o elenco haitiano reúne bons atletas. Um dos destaques é o meio-campista Jean-Ricner Bellegarde, que defende as cores do Wolverhampton, da Inglaterra, considerado o motor da equipe. A esperança para as redes balançarem fica por conta de Duckens Nazon, maior artilheiro da história seleção haitiana com 44 gols, que atualmente joga no Esteghlal, do Irã. 

No setor defensivo, uma das referências é Ricardo Adé, zagueiro da LDU, do Equador. Um dos melhores jogadores do Campeonato Equatoriano, o esportista já atuou em duelos pela Libertadores e pela Copa Sul-Americana, enfrentando equipes do futebol brasileiro, como Palmeiras e São Paulo.

A vaga no Mundial foi conquistada de forma surpreendente. Os haitianos terminaram na liderança do Grupo C de sua eliminatória, deixando seleções tradicionais para trás, como Honduras e Costa Rica. A confirmação da classificação chegou após uma vitória por 2 a 0 sobre a Nicarágua na última rodada, com gols de Louicius Don Deedson e Ruben Providence.

A campanha ganha ainda mais relevância pelas dificuldades enfrentadas. Devido à crise de segurança no país, a seleção precisou mandar seus jogos em campos neutros durante a trajetória. Os Les Grenadiers, como são conhecidos, tiveram o Estádio Sylvio Cator, localizado em Porto Príncipe, capital do Haiti, tomado por facções criminosas, obrigando os atletas a atuarem no Estádio Ergilio Hato, em Curaçao. 

Mesmo assim, o time do técnico francês Sébastien Migné conseguiu superar os obstáculos sociais e alcançar um feito histórico, deixando mais de 12 milhões de habitantes bastante orgulhosos.

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