Artigo A violência nas escolas não pode ser considerada mais um episódio isolado; infelizmente, ela faz parte da preocupação diária dos professores. Uma recente pesquisa desenvolvida pelo Centro do Professorado Paulista, realizada com a participação de 1.144 profissionais, mostrou que 74,4% dos professores não se sentem seguros dentro das escolas.
O estudo verificou que os educadores afirmam que no dia a dia se sentem vulneráveis, tanto por conta de alunos, como também por parte de pais e responsáveis.
Em paralelo, o levantamento também evidencia que 65,6% dos profissionais já sofreram algum tipo de agressão enquanto trabalhavam, principalmente de forma verbal, mas também existem casos de violência psicológica, moral e física, esta última com 19,3% dos relatos.
Durante minha experiência, vivenciei casos em que situações desse tipo afetaram o bem-estar emocional dos educadores. Nenhum profissional deveria ter traumas e medo enquanto exerce sua função, mas isso está cada vez mais evidente.
Enquanto ainda houver ocorrências assim, a qualidade da educação será afetada, visto que muitos professores ficam desmotivados em relação à carreira e aumenta a rotatividade no ensino.
A desvalorização social da profissão pesa na forma como eles são considerados pelos estudantes. O docente, muitas vezes, não é visto como uma autoridade de respeito e, por isso, é tratado de forma agressiva.
Sem contar a falta de apoio das escolas que alguns educadores enfrentam. Em muitos episódios de violência, as instituições não oferecem um suporte adequado ao profissional, o que pode agravar desrespeitos no ambiente pedagógico e angústias.
Por conta disso, muitos especialistas da área da educação pedem a revisão do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A legislação prevê a responsabilização dos adolescentes com medidas socioeducativas, mas os educadores enxergam que, caso houvesse maiores penalidades nessas situações, haveria menos relatos.
A meu ver, as instituições de ensino deveriam ser um espaço acolhedor e de respeito tanto para os alunos quanto para os docentes. Enquanto aumentam as violências nas escolas, a educação é prejudicada e isso causará mais prejuízos à sociedade.
Sílvio dos Santos Martins é presidente do Centro do Professorado Paulista.
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