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Essencial no prato do brasileiro, feijão tem alta de 105% em um ano em Santo André

Valor médio de itens básicos pesquisados pela Craisa somou R$ 1.224,66 no mês passado, leve recuo de R$ 0,19 em comparação a abril

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
16/06/2026 | 09:00
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Economizar no supermercado tem se tornado uma tarefa cada vez mais dífícil. Alimentos que não podem faltar na mesa do brasileiro têm pesado cada vez mais no bolso, como o feijão, que teve alta de 105,3% em um ano, ao passar de R$ 4,32 em maio de 2025 para R$ 8,87 agora. De acordo com a Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André), a cesta básica ficou em R$ 1.224,66 no último mês, leve recuo de R$ 0,19 em comparação a abril (R$ 1.224,85). O montante representa alta de 13,41% frente a 2025 (R$ 1.079,80).

Entre os produtos pesquisados, os maiores acréscimos em maio na comparação com abril foram registradas nas batatas, que subiram 36,2%, seguidos pelas cebolas, com aumento de 20%, e pelos tomates, que avançaram 6,7% (veja na arte abaixo).

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No balanço anual, além do feijão, outros produtos que registraram elevação significativa foram o sabonete (75,31%), o papel higiênico (61,62%), a cebola (55,05%) e a farinha de trigo (54,39%).

A autônoma Deise Mara Oliveira, de 32 anos, moradora da Vila João Ramalho, em Santo André, afirma que percebeu aumentos principalmente no leite, nos ovos, na carne, no feijão e no óleo. Para conseguir manter o orçamento sob controle, precisou rever hábitos de consumo e reduzir a quantidade de produtos que compra. Segundo ela, as compras são feitas a cada 15 dias e as principais estratégias têm sido pesquisar preços e substituir marcas mais caras por opções mais acessíveis.

“Você tem que diminuir algumas coisas para tentar sair o mesmo preço que costuma gastar no mercado. É a forma para compensar os itens que estão mais caros.”

A cozinheira Rosana Aparecida dos Santos, de 52 anos, moradora da Vila Luzita, em Santo André, também percebe que o dinheiro tem rendido menos. De acordo com ela, o aumento do feijão tem impactado bastante por se tratar de um item indispensável na alimentação da família. “Chamou minha atenção porque ele não pode faltar em casa. Eu não como arroz sem feijão. Para comprar ele, eduzi os pedidos de comida por aplicativo e deixei de fazer pequenos passeios nos fins de semana.”

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O engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezza, analisa que a alta de 105,33% do feijão em um ano está relacionada ao comportamento cíclico da produção agrícola. 

“Na época em que o preço do feijão sobe, muitos produtores passam a investir no cultivo porque a rentabilidade aumenta. Com isso, nas safras seguintes ocorre um excesso de produção, o que provoca queda nos preços. Quando o valor cai demais, os produtores deixam de plantar, a oferta diminui e o preço volta a subir. São ciclos que, infelizmente, ainda fazem parte da agricultura brasileira por conta da falta de planejamento.”

Apesar disso, com a estabilidade entre abril e maio deste ano, Vezza comenta que é um momento de respiro. “Viemos de dois meses com altas próximas de R$ 40 na cesta básica. O resultado de agora é uma boa notícia para o consumidor. Não acredito em uma queda nos próximos levantamentos, mas, se os preços conseguirem se manter nesse patamar, já será um resultado positivo dentro do cenário atual.”

O impacto da alta dos preços também chega aos pequenos negócios. A comerciante Débora Pelós, de 51 anos, moradora da Vila Guiomar, relata que produtos utilizados na cantina que administra sofreram reajustes expressivos, especialmente a muçarela e o óleo.

Segundo ela, o quilo da muçarela saltou de R$ 28 para R$ 37 nos últimos meses. Como nem sempre é possível repassar integralmente os aumentos ao consumidor, a margem de lucro acaba reduzida. “Tem que comprar, não tem jeito. Em casa e na empresa a gente precisa equilibrar as contas o tempo todo”, diz.




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