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A cada 3 horas e meia, região tem uma queixa de violência contra idoso

De janeiro a maio, Grande ABC registra 1.030 denúncias de violação a direitos dos 60+; hoje se celebra o dia de conscientização sobre o tema

15/06/2026 | 09:20
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


No Grande ABC, entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizadas 1.030 queixas de violência contra idosos, média de um registro a cada 3 horas e meia. O total corresponde a 25% das denúncias de violação de direitos humanos, que na região somam 4.029, segundo dados do Disque 100.

Nesta segunda-feira (15), é celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, estabelecido pela ONU (Organizações das Nações Unidas) em 2006.

Conforme explica Loiane Lopes, advogada de Santo André especializada em Direito Familiar, moradores com mais de 60 anos podem ficar dependentes fisicamente e emocionalmente, aumentando a vulnerabilidade e os tornando alvos mais “fáceis”. Segundo ela, isso ajuda a explicar o percentual de 25% em relação ao total de denúncias.

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“Além disso, houve maior percepção da sociedade e divulgação dos canais de denúncias, o que contribui para que situações antes invisíveis sejam levadas ao conhecimento das autoridades”, disse Loiane. 

A afirmação também pode ser usada para explicar o aumento dos casos de um ano para outro. Entre janeiro e maio de 2025, foram 917 denúncias de violência contra pessoas idosas. Houve, portanto, uma alta de 11% nas queixas neste ano.

Além disso, em 55% dos casos de violência – seja física, psicológica ou patrimonial –, os próprios filhos das vítimas são os suspeitos no Grande ABC. As queixas chegaram a 572 entre janeiro e maio deste ano. 

“Muitos dos casos ocorrem porque a convivência diária e a relação de dependência fazem com que os familiares sejam os principais responsáveis pelos idosos. Assim, situações de sobrecarga, conflitos familiares, dificuldades financeiras e até interesses patrimoniais podem contribuir para o surgimento de episódios de abuso”, explica a especialista. 

Entretanto, segundo ela, é importante evitar generalizações. “A grande maioria das famílias exerce esse cuidado de forma adequada, e cada caso deve ser analisado individualmente”, concluiu.

Pensando em proteger essa população, as prefeituras do Grande ABC estabeleceram programas e equipamentos voltados ao enfrentamento da violência. Neste mês, Ribeirão Pires, por exemplo, inaugurou o NAAI (Núcleo de Afeto e Atenção ao Idoso), que promove atendimentos, acolhimento, atividades recreativas, palestras e ações de promoção da saúde. “Com isso, a cidade fortalece tanto a prevenção quanto o enfrentamento da violência”, indicou o município.

As administrações também destacaram os Cras e Creas (Centros de Referência em Assistência Social). As Prefeituras de Santo André, São Bernardo e Mauá disseram que os espaços desenvolvem debates sobre o tema e oferecem acolhimento e apoio para reduzir o risco de novos casos. “A Secretaria de Assistência Social planeja a construção de centro de convivência ao idoso”, comentou a cidade mauaense. 

Brasil não dá valor aos mais velhos, afirma delegado de São Bernardo

O Grande ABC conta com delegacias especializadas na proteção dos idosos, mas muitas pessoas ainda não conhecem plenamente o funcionamento dessas unidades, segundo Élcio Álvares, delegado titular da Delegacia de Proteção ao Idoso de São Bernardo.

Na avaliação dele, a pessoa passa a ser descartada pela sociedade ao envelhecer. Para Álvares, o tema da violência e da proteção ao idoso deveria receber mais atenção no Brasil. 

“É muito triste observar que quando a pessoa atinge uma certa idade, a sociedade já considera que ela não é mais produtiva e a descarta. E justamente nessa fase é que mais se precisa de apoio”, comentou.

Segundo o delegado, na unidade de São Bernardo foram registradas 53 ocorrências entre janeiro e maio deste ano. “A grande maioria dos crimes acontece com pessoas em situação de vulnerabilidade. Acompanhamos casos de estelionato, ameaça, apropriação indevida de bens e agressão. Também solicitamos medidas protetivas de urgência para idosos que necessitem delas”, explicou o delegado.

No Grande ABC há três Delegacias de Proteção ao Idoso, em Santo André, São Bernardo e Diadema.

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