
A estreia do Brasil na Copa do Mundo registrou o segundo maior público da competição entre os seis jogos disputados até o momento: 80.663 torcedores assistiram ao empate com o Marrocos no MetLife Stadium, a maior arena entre os 16 palcos do Mundial na América do Norte. Apenas o lendário Estádio Azteca, no México, registrou público mais volumoso neste Mundial: 80.824 foram ver a vitória dos anfitriões sobre a África do Sul na abertura do torneio. A diferença em relação ao jogo do Brasil foi pequena.
Oficialmente, o MetLife, casa de dois times da NFL, o New York Giants e o New York Jets, tem capacidade para abrigar 80.663 espectadores. Ou seja, segundo a Fifa, todos os lugares foram preenchidos na estreia da seleção brasileira. Houve também recorde de venda de camarotes, com mais de 10 mil lugares comercializados.
Mas muitos dos presentes, entre torcedores e profissionais que trabalharam na partida, tiveram problemas no acesso ao estádio e dentro da arena, com críticas à organização. O estádio é cercado por rodovia e privilegia carros, ainda que há um trem que deixa os torcedores no estacionamento e funciona apenas em dias de eventos no local. "Nunca vi um acesso ao estádio tão mal gerenciado quanto ao redor do MetLife Stadium, agora, para o jogo Marrocos-Brasil. Os engarrafamentos se estendem por quilômetros e quilômetros", queixou-se o jornalista canadense Alexandre Pratt.
Foram registrados muitos problemas com a organização, muitos deles relacionados à imprensa, que enfrentou fila para entrar na hora em que foi aberto o portão do estádio, chamado pela Fifa de "Estádio New York/New Jersey". A Fifa rebatizou todos os estádios que têm naming rights e obriga as arenas a esconder os nomes das empresas que dão nome a esses equipamentos esportivos. A entidade proíbe a exibição de marcas comerciais que não estejam entre os seus patrocinadores oficiais.
Não havia água na sala dos jornalistas e muitos repórteres reclamaram que foram alocados em lugares inadequados, em cadeiras destinadas aos torcedores, sem tomada e internet disponíveis. Em sua 14ª Copa, Galvão Bueno foi um dos profissionais incomodados com a posição que lhe foi dada. "Em 14 Copas que fiz, esse é o pior lugar em que fiquei", reclamou o narrador do SBT, um dos detentores dos direitos de transmissão do torneio para o Brasil, ao lado do ex-jogador Alexandre Pato.
O torcedor Charles Nascala saiu de São Paulo e encontrou o sogro, Marcelo Nunes, que mora em Orlando, antes de rumar ao local da partida. Ambos pegaram o trem da Penn Station de Nova York ao MetLife. Essa passagem de ida e volta custava US$ 13 (R$ 65), mas o valor foi reajustado para US$ 98 (R$ 496), o que revoltou muitos torcedores.
Seria pior, já que houve uma redução em relação aos exorbitantes US$ 150 originalmente planejados pelo governo de Nova Jersey. "Foi perrengue encarar a lotação no trem e ficar um tempo lá fora, no sol, sem água", reclamou Nunes, que investiu US$ 2,5 mil (R$ 12 mil) em cada um dos dois ingressos que comprou. Fernando Silva vive em Toronto, no Canadá, e viajou de carro até Nova Jersey. Ele pagou US$ 2 mil (R$ 10 mil) pela entrada. "Estou curtindo a atmosfera".
A torcedora Juliana Araújo considera a primeira partida do Brasil no Mundial "uma experiência". Ela comprou passagens, hospedagem e ingressos com uma agência de turismo que vende pacotes para o torneio. Passou na fan fest e depois chegou à gigantesca arena em East Rutherford de ônibus. "Foi um pouco complicado na hora de chegar e na hora de me localizar no estádio", relata.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.