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Festas juninas impulsionam em até 90% vendas de microempreendedores

Quem investe no setor de alimentação aproveita o período para poder faturar um dinheiro extra

João Vittor Espindula
Especial para o Diário
14/06/2026 | 06:49
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FOTO: Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O período de festas juninas tem impulsionado a renda de microempreendedores no Grande ABC, com crescimento entre 40% e 90% nas vendas, de acordo com comerciantes da região. Comidas típicas, decoração colorida e música tradicional movimentam as quermesses e também ajudam a reforçar a renda. Apesar da alta nos custos de ingredientes, como leite e amendoim, pequenos produtores apostam no período como uma das principais fontes de faturamento do ano e uma chance de aumentar a clientela. 

A confeiteira Zenaide Maria de Sousa, 44 anos, moradora no Centro de Diadema, trabalha há três anos com pratos juninos. Ela produz tudo em casa e vende em feiras, na região central da cidade, e por encomenda. Na avaliação dela, o período junino é um dos mais importantes para o faturamento no ano. “Percebo um aumento de 30% a 40% nas vendas. É um mês muito festivo e as pessoas procuram bastante as comidas que geralmente são mais vendidas nesta época”, destacou.

Entre os produtos mais desejados estão canjica, chá de amendoim, maçã do amor e morango no palito. Nascida na Paraíba, Zenaide contou que o trabalho carrega valor afetivo. “Representa recordação da infância, das tradições e da família. Amo trabalhar com comidas típicas porque isso faz lembrar da época em que eu morava no Nordeste”, destacou.

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A microempreendedora Marlene Luiza, 53, moradora do Parque Aliança, em Ribeirão Pires, trabalha com doces juninos há cinco anos. Ela afirmou que começou a preparação ainda em maio para atender à alta demanda. “Os produtos típicos fazem parte do meu cardápio o ano inteiro, mas, entre junho e julho, a procura aumenta muito. O crescimento chega a 90%”, relatou.

Ela divide a rotina entre a produção de receitas à base de milho e o trabalho como diarista. Mãe de três filhos, Marlene disse que encontrou nos doces uma forma de complementar a renda e garantir mais estabilidade.

“Meu sonho é abrir uma lojinha para parar de ser diarista porque é muito puxado. Hoje eu faço tudo na minha casa e os clientes retiram lá, mas tenho fé que um dia vou ter meu pontinho.”

Marlene decidiu vender pamonha e derivados após sentir falta do sabor das receitas típicas de Pernambuco, Estado onde nasceu. Segundo ela, o negócio começou de forma simples, com vendas nas ruas. “No início, não tinha nem bolsa para carregar as coisas. Saía a pé para ganhar esse dinheiro.”

Apesar das dificuldades, ela comentou que não pensa em desistir. Atualmente, além de trabalhar como diarista, faz EJA (Educação de Jovens e Adultos) no período noturno. “Eu não sabia ler, nem fazer conta. Hoje já consigo responder para os clientes, pegar ônibus sozinha e organizar melhor as coisas. Nunca é tarde para estudar”, ressaltou. 

Valores de insumos desafiam produção

Em meio a tanta concorrência durante as festas juninas, combinar qualidade com bom preço é um dos desafios para se destacar neste mês. De acordo com o economista e professor do curso de Administração da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Jorge Ferreira dos Santos Filho, os pequenos comerciantes são os mais afetados pela alta dos insumos, já que trabalham com margens reduzidas e menor capacidade de absorver aumentos nos custos de produção.

“Qualquer elevação nos custos impacta diretamente a rentabilidade. Muitos empreendedores acabam obrigados a reduzir o lucro, repassar parte do aumento ao consumidor ou até reformular receitas e porções para manter as vendas.”

Para a microempreendedora Marlene Luiza, 53 anos, moradora do Parque Aliança, em Ribeirão Pires, além do preço, a alta procura por milho no mercado é uma das preocupações do mês. “Está difícil de conseguir por causa do frio. Quando aparece, está caro ou muito verde. Fico até insegura de pegar encomenda.”

Conforme o especialista, o cenário é ainda mais delicado em festas populares, quando existe pouca margem para reajustes elevados. Ele destacou que alguns ingredientes tiveram aumento expressivo nos últimos meses. “A cesta junina acumulou alta de 3,81% em 12 meses, abaixo da inflação geral do período. Alguns produtos registraram queda, como o fubá, enquanto outros apresentaram aumentos expressivos. O amendoim chegou a subir quase 30%”, disse.

Ferreira também ressaltou que a dificuldade para os microempreendedores não está apenas relacionada à inflação geral, mas à diferença de comportamento entre os preços dos produtos. “Enquanto alguns insumos apresentam estabilidade ou até queda, outros sobem muito acima da média. Essa heterogeneidade acaba desorganizando completamente o planejamento dos pequenos produtores”, pontuou.

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