Mais gestão, menos polarização Titulo Mais gestão, menos polarização

Que venha a Copa com sua magia

Paulo Serra
14/06/2026 | 04:59
Compartilhar notícia
ARTE: Seri
ARTE: Seri Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Mais uma Copa do Mundo já começou. E, para um país como o Brasil, isso significa muito mais do que apenas futebol. Significa expectativa, emoção, esperança e, principalmente, um daqueles raros momentos em que milhões de pessoas compartilham o mesmo sentimento ao mesmo tempo.

Poucas coisas conseguem mobilizar os brasileiros como uma Copa do Mundo. Independentemente da idade, da profissão, da condição social ou da região onde vivem, existe algo especial quando a Seleção Brasileira entra em campo. É um evento capaz de parar ruas, mudar rotinas, reunir famílias e criar memórias que atravessam gerações.

Mas a Copa de 2026 chega em um contexto diferente. O Brasil ainda convive com um ambiente político marcado pela polarização. Nos últimos anos, infelizmente, vimos o debate público se tornar cada vez mais agressivo, com divisões que ultrapassaram as fronteiras da política e chegaram ao cotidiano das pessoas.

DGABC

Em determinados momentos, até mesmo a Seleção Brasileira acabou sendo arrastada para esse cenário. A camisa amarela, que durante décadas foi um símbolo nacional capaz de representar todos os brasileiros, passou a ser associada a disputas políticas. Convocações, posicionamentos de atletas e até a simples manifestação de apoio à Seleção foram, por vezes, interpretados sob lentes ideológicas.

Foi uma situação incomum para um país cuja identidade internacional sempre esteve profundamente ligada ao futebol. Afinal, durante décadas, torcer pela Seleção significava apenas isso: torcer pelo Brasil.

Talvez por isso a Copa represente uma oportunidade importante. Não porque o futebol vá resolver os problemas políticos do país. Não vai. As divergências continuarão existindo, como acontece em qualquer democracia madura. O debate de ideias continuará sendo necessário e saudável.

Mas a Copa pode nos lembrar de algo fundamental: existem mais coisas que nos unem do que imaginamos.

Durante noventa minutos, pouco importa em quem cada um votou na última eleição. Pouco importa a preferência partidária, a posição ideológica ou a opinião sobre os temas que dominam as redes sociais. O que importa é o desejo compartilhado de ver a bola entrar, de celebrar uma vitória e de sonhar com mais uma estrela na camisa.

A Seleção Brasileira talvez não chegue como favorita absoluta. Muitos torcedores ainda têm dúvidas sobre o desempenho da equipe, sobre a renovação do elenco e sobre a capacidade de competir com as principais seleções do mundo. É natural. O futebol vive ciclos, e nem sempre entramos em uma Copa cercados pelo mesmo otimismo.

Mas a história do futebol brasileiro também é feita justamente de superação. Quantas vezes uma geração desacreditada surpreendeu? Quantas vezes o talento brasileiro encontrou seu melhor caminho quando poucos acreditavam?

Independentemente do resultado dentro de campo, existe uma oportunidade fora dele. A oportunidade de resgatar um sentimento coletivo que parece cada vez mais raro em tempos de redes sociais, algoritmos e debates permanentes.

A Copa tem a capacidade de transformar desconhecidos em companheiros de torcida. Faz com que pessoas de opiniões completamente diferentes se abracem após um gol. Cria conversas onde antes havia apenas discordâncias. E lembra que, antes de qualquer divergência, existe algo que todos compartilhamos: o fato de sermos brasileiros.

Talvez seja pedir demais que um torneio de futebol consiga unir definitivamente um país tão diverso e complexo como o nosso. Mas também seria um erro subestimar o poder simbólico de momentos como esse.

O Brasil precisa continuar debatendo seus desafios, construindo soluções e fortalecendo suas instituições. Mas também precisa reaprender a conviver, a respeitar diferenças e a reconhecer aquilo que temos em comum.

Que a Copa do Mundo de 2026 seja mais do que uma competição esportiva. Que seja um momento de encontro. Um período em que possamos diminuir um pouco os ruídos, baixar a temperatura dos debates e lembrar que nenhuma camisa partidária deveria ser maior do que a camisa do Brasil.

E que, independentemente do resultado final, possamos voltar a torcer juntos. Porque, em um país tão apaixonado por futebol, talvez essa seja uma das vitórias mais importantes que podemos conquistar.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;