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Quadrinistas brasileiros invadem o cenário mundial das HQs

Artistas brasileiros assinam os títulos mais importantes da DC, Marvel, Image e Dynamite

Loïk Marques
Especial para o Diário
13/06/2026 | 17:00
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Capa da edição #1 de Ben10 da Dynamite, colorido por Ren Spiller (FOTO: Reprodução)
Capa da edição #1 de Ben10 da Dynamite, colorido por Ren Spiller (FOTO: Reprodução) Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Absolute Batman, The Umbrella Academy, Supergirl: A Mulher do Amanhã e Daytripper são títulos que dominaram as bancas e as telas nos últimos anos e todos eles têm algo em comum: passaram pelas mãos de artistas brasileiros. Em dezembro, a CCXP26 vai reunir diversos nomes como Todd McFarlane e Carmine Di Giandomenico em São Paulo, mas artistas brasileiros também estão em ascensão no cenário das HQs mundial. 


O caminho foi aberto na década de 1990 por Mike Deodato Jr., nascido em Campina Grande, na Paraíba. Filho de Deodato Borges,  jornalista, radialista e quadrinista, criador de As Aventuras do Flama, um dos primeiros super-heróis brasileiros, surgido nas novelas de rádio em 1963, os quadrinhos já eram herança de família. 


Com lápis, nanquim, fax e Correios, Deodato Jr. assumiu a Mulher-Maravilha da DC Comics, título à beira do cancelamento, e o transformou em sucesso. Foram 24 anos na Marvel depois disso, abrindo caminho para toda uma geração.

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Essa geração chegou com força. Em 2008, os gêmeos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá se tornaram os primeiros brasileiros a vencer o Prêmio Eisner, o Oscar dos quadrinhos. Três anos depois, repetiram o feito com Daytripper, que chegou ao topo da lista de mais vendidos do New York Times. Gabriel Bá também ilustrou The Umbrella Academy - quadrinho criado pelo vocalista do My Chemical Romance, Gerard Way- que também virou série na Netflix.


De São Bernardo, Ivan Reis percorreu um caminho parecido: da Turma da Mônica para a DC Comics, onde se tornou o primeiro brasileiro a desenhar regularmente o Superman. Em 2006, assumiu o Lanterna Verde e foi eleito o melhor desenhista do ano pela revista americana Wizard. Após 20 anos de exclusividade na DC, migrou para a Ghost Machine, novo projeto autoral na Image Comics.


Uma nova geração carrega essa herança. Bilquis Evely, de Barueri, venceu o Eisner de Melhor Desenhista em 2025 por Helen of Wyndhorn,  e vê seu trabalho na Supergirl chegar ao cinema em 2026. Os coloristas Frank Martin e Marcelo Maiolo, confirmados na CCXP26, assinam respectivamente as cores de Absolute Batman e Absolute Arqueiro Verde pela DC. 


O mais recente da lista representa o que vem por aí. Formado em Design Industrial e Biologia, Ren Spiller passou quase duas décadas como designer gráfico e ilustrador científico antes de chegar aos quadrinhos. "O design me deu a base artística, a biologia me ajuda na anatomia, na física e no entendimento de como a luz e as cores funcionam. Foi só juntar tudo e mostrar meu trabalho para o mundo que as portas para esse mercado foram abertas rapidamente", conta. Em 2019 estreou na indústria e em menos de uma década já coloriu o relançamento de Ben 10 pela Dynamite.

Para ele, o sucesso dos brasileiros no mercado internacional tem explicação: "Nós temos uma alegria, uma criatividade e uma paixão pela arte que se sobressai. Nossa natureza, nossas cidades, nossa vida é muito colorida, estamos acostumados a ver muitos tons e matizes diferentes no nosso dia a dia e acabamos passando isso pro papel instintivamente."

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