Setecidades Titulo Insegurança & Fome

Grande ABC tem 15 mil pessoas sem uma refeição ao longo do dia

Grupo representa o nível mais grave de insegurança alimentar entre 120 mil moradores em vulnerabilidade social na região

07/06/2026 | 07:50
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Divulgação/PMSA
Divulgação/PMSA Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Nas sete cidades, 15.082 moradores estão em risco de insegurança alimentar grave, de um total de 120.370 em situação de vulnerabilidade social. Trata-se do nível mais severo da falta de acesso regular a alimentos. Na prática, são pessoas que convivem com a fome e passam até dias inteiros sem uma única refeição. Os dados são do monitoramento de 2025 do CadInsan (Indicador de Risco de Insegurança Alimentar Grave Municipal a partir dos dados do CadÚnico).

A privação pode levar a uma série de doenças e impacta na qualidade de vida e sobrevivência destes cidadãos. Neste domingo (7), é celebrado o Dia Mundial da Segurança dos Alimentos com o objetivo de trazer o debate sobre a importância de todas as pessoas terem acesso físico e econômico permanente a uma alimentação segura, nutritiva e em quantidade suficiente.

A assistente social, professora e coordenadora dos cursos de Serviço Social e Gestão Pública da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Glauciane Mont Serrate, diz que a fome não nasce apenas da falta de dinheiro para comprar comida, mas da combinação entre renda insuficiente, trabalho precarizado, desemprego, alto custo de vida, moradia cara, endividamento, desigualdade territorial e fragilidade no acesso a direitos.

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“A fome comunica algo sobre a sociedade. Ela revela quem tem acesso, quem fica de fora, quem é protegido e quem é abandonado. Começa nas escolhas de quem governa, nas estruturas que excluem, nas políticas que chegam tarde ou que nunca chegam. Começa onde a proteção social termina ou onde nunca foi construída. Por isso, a fome não começa no prato vazio, mas na dignidade negada muito antes da refeição. A fome é a ponta visível de muitas ausências”, define.

A cidade da região com maior número de pessoas em situação de privação de alimentos é São Bernardo, com 4.866. Na sequência, estão Santo André (4.348), Diadema (2.371), Mauá (2.357), Ribeirão Pires (496), Rio Grande da Serra (453) e São Caetano (191).

A soma representa em média 0,56% da população – 2,7 milhões de acordo com estimativas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O Estado tem proporção semelhante, com 244.132 pessoas em privação de alimentos de um total de 2.725.224 cadastradas no CadÚnico e de uma população de aproximadamente 46 milhões (0,53%).

Os dados consideram apenas quem está em risco grave pela falta de acesso à alimentação. Entretanto, a insegurança alimentar abrange também os níveis leve, momento em que a família ainda se alimenta, mas já vive com medo de faltar, e o moderado, quando a preocupação vira restrição.

O CadInsan foi desenvolvido pela Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome como uma ferramenta inovadora para prever o risco de insegurança alimentar grave entre as famílias inscritas no CadÚnico. O monitoramento de 2025 é o primeiro que considera dados por município, portanto, não há base comparativa de outros anos.

ENFRENTAMENTO
O Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome da ONU (Organização das Nações Unidas) em 2014, ao registrar menos de 2,5% de subalimentados na população, critério utilizado pelo levantamento. Em 2019, retornou para a lista e, durante o pico pós-pandemia (2021 e 2022), o índice de subnutrição nacional chegou a 3,4%. Após uma nova queda, em 2025, o País deixou novamente o relatório.

“Os dados mostram avanços importantes e isso precisa ser reconhecidos. E esse é um resultado significativo porque demonstra que a fome não é um destino inevitável. Ela pode ser enfrentada quando existem políticas públicas, proteção social, geração de renda e compromisso coletivo com a redução das desigualdades”, destaca a professora Glauciane Mont Serrate.

Uma das principais políticas públicas de enfrentamento imediato da fome nos municípios da região é os bancos de alimentos. Os equipamentos do Grande ABC arrecadaram e repassaram mantimentos à população em situação de vulnerabilidade social 2.021 toneladas de mantimentos em 2025.




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