Política Titulo Artigo

Quem protege as famílias?

Rodolfo Donetti
04/06/2026 | 09:36
Compartilhar notícia
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A decisão dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas gerou debates políticos e jurídicos. Mas, para o cidadão que sai cedo para trabalhar, cria seus filhos e deseja viver em paz, a pergunta é simples: o que isso muda na prática?

O Brasil não chegou a esse ponto por acaso. Durante décadas, o crime organizado cresceu enquanto o Estado falhava em construir uma estratégia nacional capaz de conter seu avanço. Facções que nasceram dentro dos presídios expandiram seu poder, dominaram territórios, controlaram rotas de tráfico e acumularam fortunas bilionárias.

O resultado é que essas organizações ultrapassaram as fronteiras brasileiras e passaram a impactar a segurança de diversos países. O problema deixou de ser apenas nacional e ganhou dimensão internacional.

DGABC

Mas o que significa viver sob a influência do crime organizado? Significa conviver diariamente com o medo. O medo de denunciar, de discordar e até de dizer não.

Em muitas comunidades, criminosos impõem regras próprias, controlam atividades econômicas e interferem na rotina das famílias. Quando uma população inteira vive sob intimidação constante, estamos diante de algo muito maior do que a criminalidade comum.

Um exemplo marcante ocorreu em Araçatuba. Criminosos fortemente armados transformaram a cidade em um cenário de guerra, utilizando explosivos, bloqueando ruas e espalhando pânico entre os moradores. Para quem viveu aquela madrugada, o sentimento foi de terror.

É justamente por situações como essa que muitos países passaram a enxergar determinadas organizações criminosas como uma ameaça internacional. Afinal, o tráfico de drogas destrói famílias no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em diversas outras partes do mundo.

Também é importante esclarecer o que essa classificação não significa. Não haverá tropas estrangeiras atuando no Brasil nem qualquer tipo de intervenção militar. O principal efeito está no fortalecimento da cooperação internacional na área de inteligência.

Mais troca de informações, mais rastreamento financeiro, maior integração entre órgãos de segurança e acesso a tecnologias modernas de combate ao crime transnacional. Essas medidas podem ampliar a capacidade de investigação e enfraquecer financeiramente organizações criminosas que atuam além das fronteiras.

A discussão verdadeira não é política. É sobre proteger pessoas. O cidadão de bem quer trabalhar, criar seus filhos e voltar para casa em segurança. E toda iniciativa séria que fortaleça essa missão deve ser analisada com responsabilidade, tendo como prioridade aquilo que realmente importa: a proteção das famílias brasileiras.

Rodolfo Donetti é policial militar e vereador em Santo André pelo Cidadania.




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;