Imunização Mizito, presidente da entidade, condiciona atuação de profissionais em campanhas ao pagamento do dissídio; sindicalista instiga revolta de moradores contra o governo
FOTO: Divulgação

O presidente do SindSaúde ABC, sindicato que representa os trabalhadores da rede privada, fundações, organizações sociais e filantrópicas na região, Almir Rogério da Silva, o Mizito, aparece em vídeo, gravado durante assembleia com enfermeiros terceirizados e que prestam serviços nas unidades de saúde e hospitais de Diadema, instigando profissionais a não aplicar vacinas enquanto o dissídio do ano passado não for incorporado aos salários. A declaração ocorre poucos dias após a liberação da vacina contra a gripe para toda a população a partir dos seis meses de idade.
“Respeitamos a população e somos a favor da vacina, mas enquanto não pagarem nosso dissídio, os trabalhadores da SPDM (terceirizada) não vão participar da campanha de vacinação (aos fins de semana). Está decretado, não tem banco de horas. Se quiserem, o chefe, o prefeito (Taka Yamauchi – MDB) e o secretário da Saúde (Antônio Carlos do Nascimento) que vão dar a vacina no povo”, afirmou o sindicalista. As declarações de Mizito constam em vídeo oficial publicado nas redes sociais da entidade sindical.
A categoria alega que a SPDM, empresa prestadora de serviços à Prefeitura na área da saúde, deixou de pagar o dissídio de 5,35% aprovado para a data-base, retroativo a maio de 2025, além de não fazer a recomposição nos vales alimentação e refeição.
O sindicalista, entretanto, estimulou os profissionais a adotarem postura dura e denunciativa contra os superiores hierárquicos, caso cobrem a aplicação de vacinas. “Se o chefe encher o saco, grava e manda para nós. É celular no bolso e cara feia”, declarou.
Mizito também instigou a população diademense a protestar contra Taka: “Tem de ficar revoltada, porque se o filho deixar de tomar a vacina é por causa do prefeito”.
Durante a semana, o presidente do sindicato e outros diretores da entidade percorreram unidades de saúde para convocar os trabalhadores a protestar no Legislativo.
O assunto reverberou na Câmara. Na sessão desta quarta-feira (3), sob protesto da categoria, o líder de governo, Juninho do Chicão (Progressistas), apresentou um vídeo – de outro ângulo e captado a distância – da mesma assembleia conduzida por Mizito na sede do Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema).
A gravação foi utilizada para criticar a determinação do presidente do SindSaúde de não vacinar a população da cidade. O parlamentar afirmou defender os trabalhadores e que vai solicitar ao governo informações com relação ao dissídio não repassado, para buscar uma resposta efetiva à categoria.
Todavia, para Juninho do Chicão, as palavras de Mizito afrontam o direito de livre manifestação e colocam em dúvida os reais motivos da mobilização dos trabalhadores.
“Fazer greve é uma coisa, outra é colocar a população contra o sistema de saúde, referência no mundo, com orientações para os trabalhadores que estão nas UBSs (unidades básicas de saúde). Isso não podemos admitir”, pontuou Juninho do Chicão.
Procurado pelo Diário, Mizito negou que tenha estimulado os enfermeiros e disse que a gravação apresentada na Câmara teria sido manipulada.
“É difícil falar de vídeo com inteligência artificial. Vou entrar com um processo para periciar essa gravação que tirou minhas falas de contexto e na qual dificilmente se entende o que está sendo dito. O que falei é para os trabalhadores não realizarem horas extras em campanhas de vacinação que são aos sábados. Repudio a montagem desse vídeo”, rebateu.
OUTRO LADO
A SPDM, instada a se pronunciar, limitou-se a dizer que a “Secretaria de Saúde de Diadema é quem vai se manifestar sobre o tema.”
O Diário contatou a Prefeitura que respondeu estar “empenhando esforços e buscando alternativas junto com a SPDM. Reafirmando o compromisso com o diálogo e a valorização dos trabalhadores, respeitando rigorosamente as condições financeiras e fiscais do município de Diadema.”
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