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FOTO: DGABC

Inovação se tornou uma palavra confortável demais no ambiente empresarial. Ela aparece em apresentações e discursos como se bastasse anunciar algo novo para justificar investimento. O problema é que associar inovação à novidade é um dos grandes equívocos do mercado. Empresas não fracassam por falta de ideias, mas por não conseguirem transformar essas ideias em valor percebido pelo cliente. No fim, inovação não é sobre ineditismo. É sobre relevância.
Durante anos, muitas companhias trataram inovação como sinônimo de lançamento, tecnologia ou disrupção. O resultado foi uma corrida por funcionalidades e projetos que impressionam internamente, mas nem sempre encontram resposta fora da empresa. Isso acontece porque o mercado remunera aquilo que é compreendido como útil. Segundo a McKinsey, 71% dos consumidores esperam interações personalizadas e 76% se frustram quando isso não acontece. O cliente não avalia inovação pelo esforço interno, mas pela experiência concreta que recebe.
Essa diferença muda a forma de pensar o tema. Uma solução pode ser sofisticada e inédita, mas fracassar se o cliente não entender porque ela importa. Em contrapartida, melhorias incrementais podem gerar crescimento relevante quando resolvem problemas reais. Muitas empresas crescem não por inventar uma categoria, mas por simplificar jornadas, reduzir fricções, melhorar atendimento ou comunicar melhor uma proposta já existente. Inovar, nesse sentido, não é só criar. É traduzir solução em benefício percebido.
A ideia de que apenas quem lança novidades avança faz sentido até certo ponto, mas não conta toda a história. Em um cenário de maior pressão por resultados, a novidade, sozinha, não sustenta uma estratégia. Segundo a Gartner, os investimentos em marketing caíram para 7,7% da receita das empresas em 2024, ante 9,1% no ano anterior. Com menos espaço para erro, iniciativas sem demanda real ou proposta clara de valor deixam de parecer ousadas e passam a ser vistas como desperdício.
Empresas que inovam de forma consistente tratam inovação como sistema, não como evento. Isso significa conectar estratégia, leitura de mercado, design, comunicação e execução. Quando esses elementos não conversam, a inovação se torna uma iniciativa isolada, incapaz de alterar percepção ou resultado.
Rever o conceito de inovação não é uma discussão semântica. É uma necessidade competitiva. Empresas que confundem inovação com novidade tendem a investir em complexidade, enquanto organizações mais maduras priorizam impacto. O mercado atual não premia quem apenas lança mais. Premia quem resolve melhor, comunica melhor e entrega algo reconhecido como relevante. Essa é a diferença entre empresas que crescem e empresas que só tentam parecer inovadoras.
André Carvalho é CEO e fundador da Tempus Inova.
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