Respiro Especialistas estimam que desconto por subvenção reduz pressão sobre frete e melhora margens para caminhoneiros e empresários
Nario Barbosa/DGABC

O desconto de R$ 0,35 por litro nos preços de venda de óleo diesel A, de uso rodoviário, anunciado pela Petrobras, entrou em vigor nesta segunda-feira (1º). O valor para as distribuidoras passou de R$ 3,65 para R$ 3,30, o equivalente a diminuição de 9,59%. A ação ocorre por causa da subvenção anunciada pelo governo federal em 13 de maio. Especialistas estimam que, depois de meses com volatilidade, essa queda ajuda a recuperar parte da previsibilidade dos custos, algo fundamental para quem trabalha com transporte e logística.
No Grande ABC, o preço médio do diesel é de R$ 6,95, já do S10 é R$ 7,30, de acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
“Para o consumidor final, o desconto em valor equivalente ao da subvenção econômica concedida através da referida MP (Medida Provisória), neutralizará a reoneração de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) que também ocorre a partir de 1º de junho”, detalha a estatal em nota.
O presidente do Regran (Sindicato do Comércio Varejista e Derivados de Petróleo do Grande ABC), Roberto Leandrini, estima que os consumidores podem perceber os efeitos em até duas semanas. “O custo operacional do transporte vai diminuir. Dependemos 90% das rodovias. Qualquer mudança impacta muito. Na bomba, deve gerar queda de R$ 0,20.”
Para ele, em relação aos alimentos, que sofrem com o frete, pode haver diminuição entre 5% e 10% nos preços nas gôndolas. Apesar disso, itens básicos, como arroz, batata e tomate, dependem muito das condições climáticas, safra, demanda e estoque para ter quedas significativas no mercado.
O economista Leonardo Baldez Augusto, fundador da ISF Crédito, aponta que qualquer queda no combustível melhora a margem para caminhoneiros autônomos, transportadoras e operadores logísticos. “Vejo um alívio relevante para o setor. Traz mais previsibilidade. Mas, o anúncio não significa que a mesma redução chegará integralmente e imediatamente à bomba. Existe toda uma cadeia entre refinaria, distribuidoras e postos.”
Uma nova subvenção econômica foi autorizada pelo governo federal no sábado (30), por meio da MP nº 1.363/2026, aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro. A Petrobras ainda avalia os termos.
O professor de economia na SKEMA Business School Mário Marques reforça que as iniciativas são temporárias e causam respiro diante o cenário global. “O governo visa reduzir o impacto inflacionário. O consumidor poderá sentir essa redução em produtos perecíveis em duas a seis semanas. Em alimentos industrializados, de um a três meses.”
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A Petrobras anunciou nesta segunda-feira a redução de 14,2% no preço do QAV (Querosene de Aviação). A porcentagem representa redução de R$ 0,93 por litro, com variação de R$ 5,48 a R$ 5,69 por litro. Esse valor é estipulado mensalmente pela estatal, sempre no dia 1º. O recuo dessa vez é o primeiro depois de três aumentos seguidos. Em abril, o reajuste foi de 55%.
De acordo com a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o combustível representa 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. As oscilações também ocorrem por causa do conflito no Oriente Médio. A Petrobras explica que essa alteração “reflete a atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais”.
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