Negócios Soluções do Grupo Betel no segmento de alimentos faturam R$ 40 milhões por ano
Persistência da CEO Letícia Faria mudou modelo de negócio FOTO: Denis Maciel/DGABC

Um negócio que começou como uma pequena empresa familiar de consultoria em São Caetano e se tornou em um ecossistema do setor de segurança dos alimentos com seis companhias. Com sede no bairro Cerâmica, o Grupo Betel, criado em 1994, se reinventou para servir às necessidades do mercado e conseguir a marca de 3.000 clientes. Na liderança, a CEO Letícia Faria, 41 anos, relata estratégias para se manter relevante no mercado, que a fizeram alcançar faturamento anual de R$ 40 milhões e um escritório em Portugal. “O jeito de ganhar dinheiro é resolver as ‘dores’ dos empresários”, comenta.
Letícia acompanhou o nascimento da companhia, fundada pelo pai, o empresário Irineu Faria, e, depois, começou a realizar as próprias consultorias. Há 20 anos à frente dos negócios, ela migrou do atendimento a supermercados para restaurantes.
“Meu pai não via necessidade de termos um escritório. Eu insisti. Comecei com os atendimentos presenciais e, com expertise, fomos indicados para mais e mais marcas. Ele possuia nome de mercado, mas não tínhamos nenhuma estrutura de empresa. A partir disso, criei departamentos de recursos humanos, financeiro e marketing para dar vida às operações”, relembra.
Para ela, mapear quais são as principais dificuldades do cliente é o caminho para encontrar oportunidade de negócio. “Criamos empresas que ajudam a aumentar o faturamento, que cuidam da validade de produtos. Outras zelam por critérios sanitários e de higienização, oferecem consultoria financeira e priorizam melhorar o atendimento. São a B.Tags, B.Jobs, Betel Assessoria, Betel Portugal e Remap. Todas compõem o ecossistema e surgiram para atender especificidades dos nossos empresários”, afirma.
Letícia aponta que o setor enfrenta desafios em relação à mão de obra, com contratação e manutenção de funcionários. “Antigamente, um bom salário resolvia tudo. Não é mais assim. Priorizar a qualidade no ambiente de trabalho é um dos pilares para se destacar. Eu nasci para ser empresária e gosto muito de fazer com que a equipe esteja feliz. Falo isso também para os clientes.” O grupo possui 240 colaboradores, sendo 95% do quadro composto por mulheres. DESIGUALDADE Em um cenário que as mulheres ocupam atualmente cerca de 6% dos cargos de CEO nas 250 maiores empresas do Brasil, Letícia sente menos o impacto da desigualdade de gênero do que quando começou a carreira. “Eu sofria muito preconceito por ser mulher nova. Para ser respeitada, observava que precisava ser mais brava e ríspida para que os empresários ouvissem o que eu tinha para falar.”
Segundo ela, esses desafios moldaram a forma como ela construiu a própria forma de administrar as empresas. “Hoje, não adianta mais você ser chefe. Quem é chefe não tem espaço. A chave é saber liderar. Assim, as pessoas têm orgulho de estar na equipe e sabem que podem contar com você. Esse olhar ajuda a inovar e melhorar o mercado.”
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